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Guardiola: “São quatro anos e o tempo desgasta muito”

Guardiola abandona o cargo após quatro anos
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Guardiola abandona o cargo após quatro anos Foto: Josep Lago/AFP

Numa sala de imprensa a abarrotar, Pep Guardiola anunciou que não continuará como treinador do Barcelona. Ao fim de quatro temporadas, o técnico decidiu que estava na altura de sair e dar lugar a ideias novas. A principal razão para a saída, disse, deve-se com o desgaste sofrido durante o período em que orientou a equipa.

“Não é uma situação fácil para mim”, começou por dizer Guardiola. “Lamento profundamente a incerteza que gerei sobre a minha continuidade. Provavelmente foi um erro não ter ouvido as pessoas que me dizia para assinar por mais dois anos”, acrescentou, notando que sempre quis “contratos muito curtos”.

Guardiola saiu no final do quarto ano à frente do Barcelona. “Uma eternidade”, afirmou o técnico, revelando que comunicou à direcção do clube, “no princípio de Dezembro”, que a etapa de treinador dos “blaugrana” “tinha chegado ao fim”.

“Mas não podia comunicá-lo oficialmente aos jogadores, poderia ter sido um desastre”, salientou Guardiola, indicando que essa foi “uma das razões” para se prolongar tanto a incerteza.

“Vou com a sensação do dever cumprido”

“São quatro anos e o tempo desgasta muito”, acrescentou Pep Guardiola. “A exigência foi muito alta e o treinador tem de estar ao máximo, com essa energia para contagiar os jogadores”. Alguns deles estiveram na sala de imprensa: Iniesta, Xavi, Victor Valdes, Puyol, Piqué, Fàbregas Busquets e Pedro Rodríguez. “Vou com a sensação do dever cumprido, orgulhoso de ter estado aqui”, concluiu.

Questionado sobre o seu futuro, Guardiola escusou-se a dar pormenores: “Sei para onde vou. Tenho pensado, voltarei a treinar. Mas não tenho vontade de voltar a treinar para já”, disse.

“Estou satisfeito para além dos resultados, por tudo o que fizemos. Quero agradecer publicamente aos jogadores que tive o grande privilégio de treinar. A todos, os que estão hoje na equipa e os que passaram pelo clube. Ficam os afectos, fica isso. Não recordo nenhum título em particular, recordo os afectos com os jogadores. É isso que fica. Com o passar do tempo vamos cruzar-nos e abraçar-nos. Convivi com gente extraordinária. Voltas a uma cidade para veres os amigos, não para visitares os museus.”

Guardiola negou qualquer influência da família na decisão e disse que se retira para recuperar. “Há cinco anos propuseram-me treinar a equipa B e fiquei eufórico. O mesmo se passou um ano depois, quando me perguntaram se era capaz de treinar a equipa principal. Mas o tempo desgasta e tenho de recuperar”. “Lamento ter perdido essa ‘vida’, que tinha no início. Mas é normal. Na minha cabeça já estava a pensar: ‘É o último ano’”, confessou.

“Vou em paz comigo mesmo. Não podia tomar uma decisão em função de um resultado, quer fossemos à final da Liga dos Campeões ou a luta pela liga continuasse até ao fim”, apontou Guardiola.

Notícia actualizada às 13h40