Meu Amor foi distinguida, em Nova Iorque, como melhor novela internacional entre 120

Televisão portuguesa vence um Emmy pela primeira vez com uma novela da TVI

Parte do elenco que esteve ontem presente na gala de entrega dos prémios
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Parte do elenco que esteve ontem presente na gala de entrega dos prémios Foto: Jessica Rinaldi/Reuters

A telenovela portuguesa da TVI Meu Amor foi premiada, na madrugada de terça-feira, com o Emmy para melhor novela. Esta foi a primeira distinção internacional para a ficção nacional, assim como para a televisão portuguesa.

A produção da Plural Portugal, escrita por António Barreira, que juntou no pequeno ecrã nomes como Alexandra Lencastre, Margarida Marinho, Rita Pereira, Paulo Pires e Nicolau Breyner foi nomeada como "Melhor Novela Internacional" e venceu as concorrentes Dahil May Isang, das Filipinas, e Ciega a Citas, da Argentina.

"Este é finalmente o reconhecimento de todo o trabalho artístico e técnico", disse ao PÚBLICO Margarida Marinho, protagonista de Meu Amor. "É um reconhecimento da qualidade da produção nacional", acrescentou a actriz. No entanto, para António Barreira, autor da novela vencedora, apesar de consciente da qualidade da produção, ganhar o Emmy não deixou de ser uma surpresa: "Tinha 33 por cento de esperança". "Isto é um sinal de que também nós (portugueses) podemos competir com os outros países", disse António Barreira, chamando à atenção para o facto de a novela ter sido escolhida entre 120 produções de diferentes países. A Argentina, concorrente directa de Portugal na corrida aos Emmys, assim como os restantes países sul-americanos, é conhecida pela sua forte aposta na produção de qualidade de novelas, chegando muitas vezes esses formatos a serem importados para Portugal.

Com este prémio, a ficção nacional marca a sua independência, inaugurando assim um novo rumo, fruto de uma aposta clara da TVI na ficção nacional, actualmente com quatro novelas no ar. Líder de audiências desde 2005 e, sem interrupção, desde 2006, o canal de Queluz de Baixo escreveu num comunicado emitido ontem que este "é o reconhecimento de um trabalho e de um percurso desenvolvido ao longo de todos estes anos, pelos que acreditaram no valor da ficção em Portugal". E os números atestam: o último episódio de Meu Amor, o mais visto de toda a novela, teve uma audiência média acima de 1,7 milhões de pessoas, correspondendo a um share de 66,2 por cento entre os canais. "É o reconhecimento de um trabalho e de um percurso desenvolvido ao longo de todos estes anos, pelos que acreditaram no valor da ficção em Portugal, nos seus actores, argumentistas, técnicos e demais profissionais", escreveu a TVI no comunicado de ontem.

"Não existem fórmulas mágicas, sempre trabalhei para agradar ao público e não para ganhar prémios", contou o argumentista. "Esta é uma novela realista e do quotidiano, sem os típicos heróis e bandidos", explicou António Barreira em relação a Meu Amor, exibida durante mais de um ano e que por várias vezes foi recorde de audiências.

Até mesmo o Presidente da República fez questão de felicitar o autor, o elenco e toda a produção por uma distinção "que tanto honra a ficção televisiva portuguesa". "Tratando-se do primeiro Emmy atribuído a uma obra portuguesa, estou seguro que este prémio constitui um reconhecimento do trabalho que, ao longo de muitos anos, tem sido feito por centenas de profissionais na produção televisiva nacional e constituirá um estímulo para todos os que dedicam as suas carreiras a este sector de actividade", escreveu o Presidente na sua mensagem.

Os Emmys internacionais, na sua 38.ª edição, são o reconhecimento do que de melhor se faz nas televisões de todo o mundo, excluindo as americanas, que têm um evento exclusivamente dedicado às suas produções. Apesar de não terem tanta visibilidade como os Emmys americanos, estes prémios despertam igualmente a atenção de Hollywood. "Enquanto aqui estivemos, tivemos um feedback muito bom, todos os dias nos deram os parabéns pelo trabalho e com este prémio subimos para um grande patamar de responsabilidade", contou Margarida Marinho. Para o autor da novela, essa responsabilidade apesar de existir sempre, agora ganha mais significado. "Abrem-se outras portas, outros mercados. A internacionalização da ficção portuguesa é um caminho importante. Temos várias produções, vários formatos que valem a pena. Esta é uma prova", conclui António Barreira.

Notícia actualizada às 16h28