Aguiar Branco acusa Sócrates de viver "num país que não é o nosso"

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Aguiar Branco critica a ausência de uma palavra de esperança em relação ao desemprego no discurso de Natal de Sócrates Miguel Madeira

“Em matéria de desemprego não deixou uma palavra forte de esperança para os mais de 500 desempregados que todos os dias têm a infelicidade de cair nessa chaga social”, disse Aguiar-Branco sobre a mensagem de Natal de José Sócrates.

Para o líder da bancada do PSD, o primeiro-ministro “mais uma vez fingiu que vive num país que não é o nosso”, tendo ainda acrescentado que “falou várias vezes em esperança mas não a traduziu em concreto”.

“Essa esperança devia ser, para todos os portugueses, que o governo começasse a governar, começasse a resolver os problemas prioritários que o país tem, começasse a criar condições para que as empresas tenham hipótese de manter e criar novo emprego, que é o principal desafio que em 2010 vamos ter”, considerou Aguiar-Branco.

Sobre o tema do investimento público, considerado por José Sócrates como a base da recuperação económica para 2010, o líder da bancada social-democrata afirmou que espera que o “governo também concretize o investimento público de proximidade, aquele que de imediato possa ajudar as pequenas e médias empresas a encontrarem trabalho”.

Aguiar Branco disse ainda esperar que o governo “concentre todas as suas energias e competências para fazer um Orçamento de Estado para 2010 com condições para ser viabilizado na Assembleia da República”.

“É fundamental que o governo compreenda que tem hoje uma maioria relativa que obriga a que chegue a consensos com a Assembleia da República”, acrescentou.

Para o líder da bancada “laranja”, o “primeiro factor de estabilidade vem e tem de vir do governo” já que “os portugueses votaram no Partido Socialista para que governasse nestas condições, ou seja, em maioria relativa e portanto tem necessidade de estabelecer pontes e consensos para que as suas propostas sejam viabilizadas na Assembleia da República”.

“Eu espero que o governo comece a governar e que comece por aquilo que deve, que é apresentar um Orçamento de Estado em condições de ser viabilizado na Assembleia da República”, sustentou.

Na mensagem de Natal que dirigiu sexta-feira aos portugueses, José Sócrates manifestou a esperança de que 2010 seja o ano da recuperação económica, tendo como base o investimento público.

Sócrates advertiu que a actual conjuntura de “crise económica mundial persiste” mas, na sua perspectiva, “há agora sinais claros de que estamos a retomar lentamente um caminho de recuperação”.

“Temos, porém, ainda muito trabalho pela frente. Precisamos de investimento público que crie emprego”, defendeu o primeiro-ministro na mensagem de Natal, em que prometeu ainda auxílio aos que foram afectados pelas recentes intempéries.

Sócrates falou também de “fraternidade” e “solidariedade”, dizendo que “ser solidário é apoiar mais quem mais precisa” e realçou as medidas tomadas para aumentar as pensões mais baixas e alargar a protecção no desemprego.

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