Lisboa ilumina-se de vermelho, verde e azul

Entre hoje e dia 30, as noites de Lisboa recebem a Luzboa, II Bienal da Luz. Ao longo de três percursos consecutivos, num total de quatro quilómetros entre o Príncipe Real e a Sé, espalham-se obras que se baseiam na luz. São intervenções no espaço público, é diminuída a iluminação dos candeeiros públicos, que são filtrados para vermelho, verde e azul. Mudanças numa cidade que "tem excesso de luz".
Por Eurico Monchique

Falsos mendigos com cartazes de néon verde no Rossio. Cem lâmpadas vermelhas de sinalização de obras no Jardim de São Pedro de Alcântara. As raízes azuis de uma árvore gigante no Limoeiro. Apenas três das 25 intervenções no espaço público que compõem a segunda edição da Luzboa, Bienal Internacional da Luz, que ilumina as ruas da capital entre a noite de hoje e a de dia 30.A associação Extra]Muros[, que organiza, indica que na edição de 2004 terão sido mais de 250 mil pessoas que passaram pelas obras de luz. Para a de 2006, as previsões são de 400 mil, com base em dados da Associação de Turismo de Lisboa para a segunda quinzena de Setembro.
Segundo o director-geral, Mário Caeiro, a Luzboa aprendeu com os erros da edição inicial, pelo que se encolheu a nível temporal - são agora apenas dez dias - e se comprimiu a nível físico - as obras ocupam agora uma espinha dorsal de quatro quilómetros entre o Príncipe Real e o Largo de Santo António à Sé. Espinha que por sua vez se divide em três secções: vermelha no Bairro Alto, verde no Chiado/Baixa, azul em Alfama/Castelo.
Estas três cores-base servem de mote à intervenção na iluminação pública, a cargo de elementos da própria Extra]Muros[ coordenados por Samuel Roda Fernandes. No total, são cerca de 350 candeeiros públicos em que foram instalados filtros azuis, verdes e vermelhos. Diminuiu-se a intensidade, o que despertou receios de insegurança. Para o coordenador-geral, a modificação da iluminação "potencia a relação que se tem habitualmente com a luz" - ou seja, "para quem é positivo, as alterações no "seu" candeeiro são fantásticas, quem é negativo diz "vou ser assaltado"".
A bienal defronta-se com problemas específicos: obras em espaços públicos, não-permanentes, numa cidade em que existem muitos parceiros, particulares ou institucionais, com que têm de se articular. Especifiquemos: só a nível municipal a organização teve que trabalhar em conjunto com os departamentos de Cultura, Urbanismo, Turismo, Iluminação e Espaços Públicos. Uma tarefa "hercúlea", nas palavras da directora de produção Patrícia Freire.
Apenas alguns casos: a protecção das obras, quer face às condições meteorológicas, quer aos seres humanos. Para evitar a vandalização ou os roubos, cada peça vai ter segurança privada durante as 24 horas do dia. Porque, como diz Patrícia Freire, "se rouba tudo", a experiência aconselha a que todos os cabos de cobre sejam "escondidos, enterrado em tubos de PVC colados com silicone".
Uma iniciativa desta envergadura tem um orçamento de cerca de 100 mil euros, o que é pouco (o festival de luz de Lyon, França, por exemplo, recebe 8 milhões de euros), principalmente tendo em conta que a maioria das obras foi concebida especialmente para esta bienal, o que implica a deslocação e estadia dos artistas estrangeiros para a pré-produção, que decorre desde Janeiro.

Uma bienal pedonalSegundo a directora de produção, "não há lucro ou reinvestimento" financeiro no final da bienal, e apenas se consegue avançar porque existe um grande apoio por parte de empresas de material e serviços eléctricos. Já a Câmara Municipal de Lisboa "não disponibilizou financeiramente", mas deu apoio "técnico", nomeadamente em todas as auto