PSP usa gás pimenta para dispersar manifestação de estudantes em Braga

Agentes da PSP de Braga utilizaram, esta manhã, gás pimenta para fazer dispersar uma manifestação de estudantes da Escola Secundária Alberto Sampaio, que protestavam contra a agregação do estabelecimento de ensino num mega-agrupamento.

O uso deste dispositivo para controlar os alunos é confirmado pela própria polícia, que justifica a medida como forma de evitar o “uso de formas mais musculadas de intervenção”. Na sequência dos confrontos, pelo menos um aluno terá necessitado de tratamento hospitalar.

O uso de gás pimenta e a forma como a PSP interveio terão provocado ferimentos em seis alunos, segundo a associação de estudantes da Escola Alberto Sampaio. Um dos jovens foi mesmo levado ao hospital de Braga para ser assistido na sequência de complicações sentidas após o contacto com o spray usado pelos agentes.

É a própria PSP de Braga quem confirma o recurso ao gás pimenta nesta manifestação de estudantes. “Foi a forma de evitar o uso de formas mais musculadas de intervenção”, justifica a comissária Ana Margarida. A responsável justifica a intervenção devido à “postura dos estudantes”.

Os alunos fecharam a escola ao início da manhã desta sexta-feira, contestando a decisão do Governo, anunciada quinta-feira, de agregar aquela secundária num mega-agrupamento – a escola fica no centro da cidade e a decisão da tutela é juntá-la ao agrupamento de Nogueira, na periferia de Braga, criando um mega-agrupamento com 3500 alunos.

Os portões da escola foram tapados com panos negros e fechados a cadeado. A PSP foi então chamada ao local para reabrir a escola, juntamente com elementos dos bombeiros. Mas a presença de centenas de alunos impediu o acesso à entrada do estabelecimento de ensino.

Fonte da PSP contactada pelo PÚBLICO justifica que foi necessária a intervenção para abrir caminho até aos portões e que, nesse processo, alguns alunos terão “tentado impedir” a intervenção dos agentes. Os confrontos entre estudantes e polícias aconteceram nesse primeiro momento. Todavia, houve um novo foco de tensão, minutos mais tarde, quando os alunos protestaram contra a presença de forças policiais na escola, ainda que dessa vez não tenha havido confrontos.

A direcção da escola confirma a existência da manifestação e a intervenção da PSP, mas não avança com pormenores. “Temos vários relatos de estudantes, mas está tudo ainda em processo de averiguação”, explica Manuela Gomes, directora da Escola Secundária Alberto Sampaio. A escola deu entretanto conta deste caso ao Ministério da Educação e Ciência, que deverá também investigar o sucedido.

A responsável explica ainda que a manifestação não estava prevista. A directora diz que foi apanhada “de surpresa” pela decisão “unilateral” do ministério. “Há dois anos que tentamos assinar um contrato de autonomia para a escola, que está aprovado pela Câmara de Braga, mas ao qual o secretário de Estado decidiu não dar seguimento”, recorda.


 
 
 

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