Yosef Sharabi é mais um português raptado em Gaza

Israelita de 53 anos terá sido levado pelos homens do Hamas, mas a sua mulher e três filhas escaparam ao ataque. A família do seu irmão Eli, também desaparecido, foi massacrada.

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Retratos dos reféns diantes da sede europeia da ONU, em Genebra MARTIAL TREZZINI/EPA
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Com dupla nacionalidade israelita-portuguesa desde 2 de Outubro de 2022, Yosef Sharabi foi raptado e levado para a Faixa de Gaza no passado dia 7, quando a sua casa no kibbutz de Be’eri foi invadida por terroristas do Hamas. Também naturalizada portuguesa, a sua mulher Nira conseguiu escapar com as três filhas do casal.

A família quer agora envolver as autoridades portuguesas para exigir a sua libertação, a pretexto da dupla nacionalidade de Yosef – as primeiras reféns libertadas, há uma semana, Judith Tai Raanan e a filha, Natalie Shoshana Raanan, são israelo-americanas, e os media em Israel noticiaram que o Qatar estava a tentar negociar a libertação de todos os reféns com dupla nacionalidade.

As autoridades portuguesas emitiram na terça-feira os documentos que que conferem a dupla nacionalidade a outros dois israelitas que estão também raptados e que aguardavam a resposta ao seu pedido, feito ao abrigo da lei dos sefarditas.

Num cenário de terror, os elementos do Hamas irromperam no bairro de Kerem, no kibbutz de Be’eri, junto à fronteira com Gaza, na manhã de dia 7. Romperam a cerca na fronteira e iniciaram um massacre que vitimou uma grande parte dos seus mil habitantes, destruindo tudo em redor.

Segundo relatos de testemunhas, Yosef saiu de casa com as mãos levantadas e pediu para o levarem só a ele e pouparem a família. Enquanto o colocavam num veículo, a sua mulher e filhas –Yuval, Ofir e Oren – estavam sentadas na relva, mas acabaram se refugiar dentro da casa, entretanto queimada, quando os terroristas se envolveram num tiroteio com as forças de segurança. Ficaram ali durante oito horas sem falar, até serem resgatadas pelo exército israelita.

Bem diferente foi o destino da família de Eli Sharabi, irmão e vizinho de Yosef, que também se encontra desaparecido. A sua esposa, Lianne Wiehl e as suas duas filhas adolescentes, Noya (16 anos) e Yahel (13 anos), foram brutalmente assassinadas.

Foram precisas duas semanas para que a morte das três fosse oficialmente confirmada pelo Governo israelita. Lianne, de 48 anos, com nacionalidade britânica, só pôde ser identificada com recurso a análises dentárias, e Noya através de ADN, por se encontrarem irreconhecíveis. O funeral decorreu esta quarta-feira num cemitério a 25 quilómetros de distância de Be’eri.

“Lianne não era crente. Não acreditava em Deus, nem no céu, nem numa vida depois da morte”, referiu uma amiga no dia do funeral ao jornal The Guardian. Nascida em Bristol, Inglaterra, Lianne foi como voluntária para Be’eri com 19 anos, acabando por casar com Eli Sharabi, descrito pelo jornal inglês como um músico talentoso, que tocava saxofone e clarinete.

Sem quaisquer notícias dos irmãos Sharabi, sabe-se apenas que o Governo incluiu o nome de Yosef na lista oficial de 220 reféns levados para a Faixa de Gaza.

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