Bloco de Esquerda: dez mil quilómetros e 100 acções por uma alternativa à austeridade

Campanha eleitoral do BE passa por Paris para denunciar a “emigração forçada e em massa” que resultou das políticas destes quatro anos.

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O BE traça medidas que quer ver respondidas pelo Governo Miguel Manso

Em resposta por email ao PÚBLICO, o director de campanha Ricardo Moreira esclarece que a caravana vai percorrer cerca de 10 mil quilómetros e realizar uma centena de sessões de esclarecimento, comícios e outras acções. O objectivo é o contacto com as populações, denunciar o que “tem falhado” e explicar as propostas bloquistas.

Apesar desta estratégia de proximidade, as redes sociais não serão esquecidas: “O Bloco tem tido uma presença constante, articulando as acções de campanha de rua e as iniciativas de propaganda com as comunidades das redes sociais. Todos os dias lançamos uma foto do dia e fotogalerias das acções de campanha”, explica Ricardo Moreira.

Pretendem também usar o Youtube: “Temos apostado numa série de vídeos, sobre a emigração, a leitura da crise e das alternativas, assim como um conjunto de mini-vídeos de ‘gente de verdade’ que dá a cara por uma proposta do Bloco”, adianta o director.

O Bloco, que não contratou qualquer agência de comunicação para esta campanha, tem sempre uma equipa a trabalhar para o portal esquerda.net (além do núcleo duro, conta com uma rede de 200 colaboradores, entre colunistas e tradutores, que continuarão a dar contributos nesta fase). Alguns dos membros desta equipa, que são militantes, também irão para o terreno cobrir alguns momentos da campanha.

Com uma caravana que inclui um carro da porta-voz Catarina Martins e duas carrinhas da equipa de montagem das iniciativas, o BE vai percorrer vários distritos do país e marcar presença também nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Na última semana os esforços estarão concentrados em Lisboa, Porto, Setúbal, Aveiro, Braga, Coimbra, Faro e Santarém.

A 21 de Setembro, o Bloco vai a Paris “chamar a atenção para as centenas de milhares de pessoas que tiveram de sair do país em busca de melhores condições de vida”. Ricardo Moreira sublinha que “um dos legados mais profundos destes quatro anos e meio é “a desqualificação do país e o seu empobrecimento, fruto de uma emigração forçada e em massa”. O encerramento da campanha, a 2 de Outubro, será no Porto. Durante o Verão, o BE já andou a calcorrear o país. “Temos sido extraordinariamente bem recebidos”, garante Ricardo Moreira.

A campanha, delineada por uma direcção própria apoiada pela comissão permanente do Bloco, conta com um orçamento de 598 mil euros, “abaixo do que foi apresentado em 2011 [772 mil euros], o que implicou um enorme rigor no desenho” de todo o programa.

Todos os materiais foram criados pelo BE. Incluem “uma pequena rede outdoor com 163 estruturas espalhadas pelo país e uma rede de estruturas mupi”. Foram ainda impressos um milhão e trezentos mil jornais de campanha, duas mil bandeiras, cento e trinta mil autocolantes e dez mil faixas.

Catarina Martins parte para a estrada com algum fôlego, depois de várias avaliações positivas ao desempenho que tem tido até aqui, nomeadamente nos debates televisivos – um dos quais com o primeiro-ministro e líder da coligação Portugal à Frente Pedro Passos Coelho. O calcanhar de Aquiles do Bloco tem sido a questão grega, e deverá continuar a ser. Os adversários políticos têm sistematicamente colado as propostas bloquistas às do Syriza para o tentar descredibilizar.

Da máquina do Bloco fazem parte, entre outras figuras, o número três da lista por Lisboa Jorge Costa que, nos últimos dez anos, tem sido o director de campanha. Actualmente é o responsável pela comunicação e tudo o que sejam tempos de antena, conteúdos para a Internet e outdoors passam por Jorge Costa.

Quanto a assessores de imprensa, são dois: Catarina Oliveira e Pedro Sales. O mandatário é o coordenador da Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa António Chora e há muito tempo a acompanhar o Bloco na estrada está também a fotógrafa Paulete Matos. Além do rosto principal desta campanha, Catarina Martins, não faltarão em comícios e outras acções nomes como os de Mariana Mortágua ou de Pedro Filipe Soares.

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