O melhor da televisão em 2024

O melhor da televisão em 2024. Escolhas de Joana Amaral Cardoso, Marco Vaza e Rodrigo Nogueira.


10

John Mulaney Presents: Everybody's in LA (T1) de Netflix

John Mulaney Presents: Everybody's in LA (T1) de Netflix

O veterano Richard Kind aparece em tudo. Além do anunciador e parceiro de apresentação de John Mulaney neste talk show desgovernado feito em directo para a Netflix ao longo de uma semana em Maio, impressionou em Homicídios ao Domícilio e em séries que poderiam estar neste top: Girls5eva, a fazer de si próprio, a explicar a filosofia da fama muito mediana que quer ter e tem; e no final de Evil. R.N.


9

Calma, Larry! (T12) de Max

Calma, Larry! (T12) de Max

Larry David é assombrado pelo fantasma do último episódio de Seinfeld há 26 anos. Talvez por isso tenha sido tão difícil para ele acabar com Calma, Larry! – começou há 25 anos, teve “apenas” 12 temporadas e 120 episódios. O final de Seinfeld é mais odiado do que amado e Larry David podia ter ido por outro caminho, mas, como acha que tem sempre razão (alerta de spoiler), colocou-se num tribunal (como tinha feito com Jerry Seinfeld) para ser julgado. O veredicto? Para quem escreve estas linhas, acabou bem. “Pretty, pretty, pretty good.M.V.


8

The Bear (T3) de Disney+

The Bear (T3) de Disney+

É polémico, pouco unânime e, como de costume em The Bear, stressante. Mas a série que se pode debater até ao infinito se é comédia ou drama tem uma coisa inquestionável: um elenco extraordinário e um par de pés assentes no chão que a tornam tão real quanto qualquer sentimento que surja numa cozinha, num hospital ou numa relação. Esta temporada poucos elogios recolheu e isso não importa nada. Porque sim, chef. J.A.C.


7

Fantasmas (T1) de Max

Fantasmas (T1) de Max

A busca por um brinco perdido serve de ponto de partida para uma exploração de uma versão surreal e única de Nova Iorque. O cérebro cómico do salvadorenho Julio Torres, que aqui é criador, realizador e protagonista (antes fez, também para a HBO, Los Espookys; no ano passado, assinou Problemista, filme que não chegou até nós), não funciona como o das outras pessoas. E ainda bem. R.N.


6

Não Digas Nada (T1) de Disney+

Não Digas Nada (T1) de Disney+

Não é viés por causa de a série ter acabado de chegar a Portugal. A forma encontrada para contar a história dos Troubles irlandeses é exímia, transformando um drama histórico num díptico familiar: o das irmãs Dolours e Marian Price e o dos membros do IRA. A história europeia recente não é fácil de abordar e muito menos estas questões fracturantes nas ilhas britânicas, irlandesas e galesas. Empatia com terroristas, a crença numa causa acima de tudo, o preço a pagar e um mistério homicida como cereja no topo de um bolo sangrento. J.A.C.


5

Homicídios ao Domicílio (T4) de Disney+

Homicídios ao Domicílio (T4) de Disney+

Como se explica que só agora esta maravilhosa série tenha chegado às melhores do Ípsilon? Como respondeu Marco Vaza, “porque está melhor a cada temporada”. É fácil pegar pelos actores convidados e dizer que tem Meryl Streep e um passeio das estrelas inteiro a cada episódio para justificar a escolha. Difícil é pôr o dedo no que torna mesmo Homicídios ao Domicílio uma série incrível. O mistério, a química, a normalidade, o tom. É isso tudo. Cada espectador depois traz o seu ingrediente para acrescentar. J.A.C.


4

Baby Reindeer (T1) de Netflix

Baby Reindeer (T1) de Netflix

Violência sexual não é matéria para comédia, certo? Certo. Em muitos momentos, incluindo um episódio inteiro só sobre violação, Baby Reindeer não é uma comédia, mas é escrita e tem como intérprete principal um comediante, Richard Gadd, que encarou de frente os seus demónios numa das séries de 2024 mais difíceis de categorizar. Começou por ser um espectáculo de stand up, ganhou expansão mundial quando se transformou em série via Netflix e conta a história de um comediante em dificuldades que se torna em objecto de desejo de uma stalker e que por ela é tratada como “rena bebé”. Existe humor nisto tudo (e muito bom), mas também há uma reflexão sobre masculinidade carregada de relevância para estes tempos. M.V.


3

Rivals (T1) de Disney+

Rivals (T1) de Disney+

Um rabo masculino em movimento, mãos com unhas pintadas de vermelho a agarrar o dito rabo. Sexo a velocidade supersónica na casa de banho de um Concorde ao som de Addicted to love. Isto é Rivals nos primeiros 30 segundos e, vamos ser honestos, é televisão debochada e hedonista, com mamas e rabos com fartura, uma espécie de telenovela com bolinha vermelha. São os anos 1980 na alta sociedade britânica, com tudo o que isso implica nos costumes e nas relações de género, mas há algum distanciamento para que não seja intolerável – e nada disto é para levar demasiado a sério. M.V.


2

Matilha (T1) de RTP/Prime Video

Matilha (T1) de RTP/Prime Video

Edgar Medina pega numa personagem da série Sul (2019), o bom marginal lisboeta Matilha (Afonso Pimentel), que se quer endireitar e ter uma boa vida ao lado de Mafalda (Margarida Vila-Nova), mas o crime continua a chamar por ele. Fica a parecer que há uma personagem interessante e uma boa história de crime em cada recanto de Lisboa. R.N.


1

Shōgun (T1) de Disney+

Shōgun (T1) de Disney+

Até aqui, era condicional, agora afirma-se com propriedade: Shōgun é a melhor série do ano. Ganhou os Emmys que devia ganhar, está nas listas dos mais reputados críticos e é simplesmente imperdível. Candidata improvável à nascença pelo hermetismo que poderia representar para o público anglófono, é ao mesmo tempo um exemplar perfeito de que, mesmo terminada a era Peak TV de produção desenfreada, a curadoria e a ambição global de uma série podem ser atingidas com nota máxima. Épico de época sobre o Japão feudal, tinha tudo (como o foi na primeira adaptação do romance homónimo de James Clavell, de 1975) para ser uma história branqueada, masculina e só insuflada pelos meios de produção do século XXI.

Mas não. As barreiras culturais foram ultrapassadas da melhor forma, não só pelo respeito ao diálogo em japonês, mas também pelo afastamento do “complexo do salvador branco” e pela sua estrela mais brilhante. Chama-se Anna Sawai, que foi Mariko, personagem que serviu de forma exemplar para todas as outras histórias a função de tradutora: não só para o britânico que aporta no período Edo japonês, mas também para o espectador, fazendo a mais bela, discreta e murmurada “exposição” que situa tudo e todos em Shōgun. Com o protagonista Hiroyuki Sanada, fez uma dupla televisiva para a história. J.A.C.