As melhores exposições em 2024

As melhores exposições em 2024. Escolhas de José Marmeleira, Luísa Soares de Oliveira e Nuno Crespo.


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Júlia Ventura: 1975-1983 de Júlia Ventura | Culturgest Lisboa

Júlia Ventura: 1975-1983 de Júlia Ventura | Culturgest Lisboa

Dedicada aos primeiros oito anos da obra de Júlia Ventura (Lisboa, 1952), 1975-1983 juntou trabalhos que, na sua grande maioria, permaneciam inéditos. Colocam, com verve e elegância, questões sobre as políticas da representação e da identidade e a influência das imagens nos nossos comportamentos e valores. Dispensando didactismos, mas não o humor e a inteligência. J.M.


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Disco de Vivian Suter | MAAT

Disco de Vivian Suter | MAAT

Mais de 500 pinturas que são uma resposta à natureza que rodeia a artista no seu quotidiano. Aqui, natureza não é o lugar contemplativo da paisagem, antes um espaço de conflito, de combate (físico e emocional) e da sua superação. Pinturas abstractas apresentadas numa instalação monumental que nos conduz para a Guatemala (onde a artista suíço-argentina vive e trabalha) e para a forma como a sua geografia, o seu clima e os seus animais encontram lugares de inscrição e abrigo. Um trabalho que Suter tem vindo a desenvolver desde a sua apresentação na Documenta em Kassel (2017) e que tem no MAAT uma das suas mais impressionantes manifestações. N.C.


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Shining Indifference de Luísa Jacinto | MAAT

Shining Indifference de Luísa Jacinto | MAAT

No MAAT, e mais tarde no Porto, confirmámos uma obra notável articulada em torno da reflexão sobre a permanência da herança da abstracção ocidental, articulada sobre a cor e a luz, as suas duas componentes. Luísa Jacinto extravasa o âmbito limitado da verticalidade da parede, expandindo a pintura pelo volume espacial das salas, envolvendo-nos em luminosos mantos de cor e exigindo o contributo do observador para abrir o significado da obra. L.S.O.


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Atelier de Pedro Cabrita Reis | Espaço Mitra

Atelier de Pedro Cabrita Reis | Espaço Mitra

Uma exposição impressionante de mais de cinco décadas de prática, com obras todas elas vindas da colecção pessoal do artista, prova da criatividade e pertinência de uma vida que se confunde com a própria obra. Afirmando-se pintor, com um conhecimento profundo da história da arte, dos temas e das formas ocidentais, Cabrita toca todas as disciplinas, da escultura à fotografia, da gravura ao desenho, servindo a interrogação fundamental que preside à própria criação. L.S.O.


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Mezzocane de Enzo Cucchi | Culturgest Lisboa

Mezzocane de Enzo Cucchi | Culturgest Lisboa

Uma das exposições mais surpreendentes do ano, a maior entre nós do artista italiano. Com a curadoria de Bruno Marchand, levou-nos a um universo no qual o sagrado, a magia, a imaginação e a arte se metamorfoseavam. Para criarem desenhos, esculturas e pinturas a que podíamos dar o nome de epifanias. Entre histórias, memórias e passagens. J.M.


5

Silêncio de Carlos Bunga | Galeria Vera Cortês

Silêncio de Carlos Bunga | Galeria Vera Cortês

Uma exposição sobre o silêncio, mas um silêncio que, ao contrário do dos filósofos e dos poetas, não é um silêncio eloquente pleno de sentidos e símbolos. Para fazer face a esse vazio, Bunga criou pinturas negras, pendurou redes através das quais se vê o espaço e o outro. Um dispositivo em que pintura e escultura são uma coisa, sem separação, como se fossem uma só obra que serve não para construir um espaço, mas para chegar perto do outro – para o poder ouvir e ver. N.C.


4

Panorama de Jorge Queiroz | Galeria Bruno Múrias

Panorama de Jorge Queiroz | Galeria Bruno Múrias

Um artista que se define como o primeiro espectador da sua obra realizou uma exposição onde salientou, a par da pintura, o diálogo constante que ela mantém com o desenho. Pintura conceptual em primeiro lugar, articulada na justaposição entre a figura e a mancha, e no jogo da escala com o que é dado a ver, a obra de Jorge Queiroz é sempre sinal visível do processo de pensamento que esbarra amiúde no indizível. L.S.O.


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Ricochetes de Francis Alÿs | Serralves

Ricochetes de Francis Alÿs | Serralves

Mostra inesquecível, colocou os jogos das crianças no palco da instalação Children’s Games. Proporcionou-nos a alegria e a memória dos jogos, mas também as experiências do medo e do absurdo. Ruidosas, coloridas (como as crianças), as imagens tiveram a companhia de um conjunto de pinturas, testemunhas de um mundo agitado e violento. J.M.


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Casa Vale Ferreira de João Pedro Vale e Nuno Ferreira | Serralves

Casa Vale Ferreira de João Pedro Vale e Nuno Ferreira | Serralves

Na casa cor-de-rosa de Serralves e na sua opulência Art Déco, as obras destes artistas encontraram uma espécie de lugar natural onde nos obrigaram a pensar em questões como identidade e os estigmas associados às comunidades minoritárias e com pouca representação, sobre o fascismo, o negacionismo e as políticas da memória e o impacto social e cultural do VIH/sida. Uma exposição importante em que o dispositivo estético foi mecanismo para questionar o tempo presente e lembrar o quão grande é ainda o legado repressivo e discriminatório. N.C.


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Amo-te de Francisco Tropa | Serralves

Amo-te de Francisco Tropa | Serralves

Um artista discreto, mas já com uma obra incontornável, reconhecido no país e internacionalmente, deu-nos aquela que considerámos a melhor exposição do ano: Amo-te, com o “A” inserido num círculo, referência clara ao símbolo do anarquismo e a um percurso pessoal que passou e passa pela liberdade assumida de práticas, conceitos, poéticas – em suma, de vida.

A exposição reuniu três grandes núcleos de obras, realizadas desde o início do milénio até à actualidade, e revelou o modo exaustivo, profundo, extraordinariamente criativo e original que Tropa concebeu para trabalhar as grandes questões que subjazem à própria arte contemporânea: forma, disciplina, referência, ausência ou presença do discurso interpretativo, sustentabilidade e, finalmente, a omnipresença da apropriação de toda a história da arte assumida como o ready-made disponibilizado a cada artista contemporâneo.

Uma montagem e uma encenação impecáveis auxiliam a visita e a apreensão da obra do artista. L.S.O.