Putin: crimes contra a História e perseguição de historiadores

Em Junho de 2021, a Federação Internacional para os Direitos Humanos publicou um relatório no qual detalha medidas sistemáticas do governo russo para silenciar historiadores e desvirtuar a história, intensificadas desde a anexação da Crimeia.

Sergey Koltyrin morreu de cancro num hospital prisional russo em Carélia, em 2020, após condenação a nove anos de prisão. Yury Dmitriev, preso em 2016, foi condenado em Dezembro-2021 a 15 anos de prisão, tendo o seu recurso sido rejeitado há três semanas, após o início da guerra. Koltyrin e Dmitriev têm em comum terem sido condenados por crimes sexuais com menores. Têm também em comum serem historiadores russos de enorme prestígio envolvidos na investigação de crimes do regime soviético: Koltyrin era director do Museu de Medvezhyegorsk, que abrange o território de Sandarmokh, onde a equipa de Dmitriev descobriu as valas comuns de vítimas do extermínio em massa durante o Grande Terror estalinista (1937-38), em que milhares de pessoas foram metodicamente executadas. Em comum, ainda, a sua oposição às medidas de Putin para branquear e reescrever a história do regime soviético. Na União Soviética morreram, perseguidos, acima de 100 historiadores e investigadores, mais do que na Alemanha de Hitler, China e Irão juntos.

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Sergey Koltyrin morreu de cancro num hospital prisional russo em Carélia, em 2020, após condenação a nove anos de prisão. Yury Dmitriev, preso em 2016, foi condenado em Dezembro-2021 a 15 anos de prisão, tendo o seu recurso sido rejeitado há três semanas, após o início da guerra. Koltyrin e Dmitriev têm em comum terem sido condenados por crimes sexuais com menores. Têm também em comum serem historiadores russos de enorme prestígio envolvidos na investigação de crimes do regime soviético: Koltyrin era director do Museu de Medvezhyegorsk, que abrange o território de Sandarmokh, onde a equipa de Dmitriev descobriu as valas comuns de vítimas do extermínio em massa durante o Grande Terror estalinista (1937-38), em que milhares de pessoas foram metodicamente executadas. Em comum, ainda, a sua oposição às medidas de Putin para branquear e reescrever a história do regime soviético. Na União Soviética morreram, perseguidos, acima de 100 historiadores e investigadores, mais do que na Alemanha de Hitler, China e Irão juntos.