Preço do gás natural sobe 26% e petróleo agrava valorização

Os contratos de futuros do Brent segue a subir 5,03%, para quase 103 dólares por barril. E as bolsas europeias voltaram a negociar em queda.

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Russia é o principal fornecedor de gás à europa Reuters/GUGLIELMO MANGIAPANE

A subida dos preços de energia é uma das consequências directas para a economia europeia decorrentes da invasão russa na Ucrânia e das sanções impostas à Rússia pela União Europeia e outros países.

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A subida dos preços de energia é uma das consequências directas para a economia europeia decorrentes da invasão russa na Ucrânia e das sanções impostas à Rússia pela União Europeia e outros países.

O gás natural TTF (Title Transfer Facility) para entrega em Março subiu, esta segunda-feira, 26% para 115 euros por megawatt/hora (MWh). O preço do gás natural havia disparado 30% na sequência dos desenvolvimentos iniciais na fronteira ucraniana e esta valorização acentuada explica-se pelo facto de a Rússia ser o principal exportador de gás natural da Europa.

Também as cotações do petróleo estão em forte subida e nem o arranque de negociações para a paz está a travar a subida. Depois de uma subida de 4%, o Brent, a referência para a Europa, subia 5% às 11h20, para 102,90 dólares por barril, o que corresponde a um máximo desde 2012. Já o crude WTI, que é referência para os Estados Unidos, também seguia a agravar a subida para 5%, negociando nos 96,20 dólares.

As bolsas europeias continuam a negociar em queda, com as maiores desvalorizações a acontecer na praça de Paris (-2,86%), mas também na alemã (-2,20%), ou na de Londres (-1,1%).

A bolsa de Lisboa apresenta a menor queda europeia, a cair 0,17%, depois de ter iniciado a sessão a perde 1,7%.

A queda das bolsas europeias é explicada pela exposição de alguns bancos europeus à Rússia, pelo impacto da retirada de bancos russos do sistema Swift, plataforma electrónica de transacções financeiras mundiais, e ainda na sequência dos problemas de bancos russos presentes na Europa.

O Banco Central Europeu (BCE) alertou, nesta segunda-feira, que o Sberbank Europe, uma unidade do Grupo Sberbank SBER.MM da Rússia, e duas outras subsidiárias sob sua supervisão, “estão falidas ou na iminência de falir”.

Também a Autoridade do Mercado Financeiro da Áustria avançou com medidas em relação ao Sberbank Europ, nomeadamente a limitação de levantamentos a 100 euros por dia, por cliente, e ainda a suspensão de transferência e pagamentos.

A Deutsche Boerse, a gestora da bolsa alemã, anunciou a suspensão da negociação de vários títulos de empresas russas com efeito imediato, entre eles o VTB Bank VTBR.MM e o Sberbank.

Na Rússia, a Bolsa de Valores de Moscovo não abriu e assim se manterá ao longo do dia de hoje, anunciou o banco central do país, admitindo que os mercados de acções, derivados e cambial possam reabrir esta terça-feira, 1 de Março.

Nos Estados Unidos, e como indicava a queda dos contratos de futuros, os principais índices accionistas abriram no “vermelho”. O Dow Jones caía 1,29%, o índice electrónico Nasdaq perdia 0,59%, e o S&P 500 deslizava 0,98%.

Esta segunda-feira, o Tesouro norte-americano anunciou a proibição de todas as transacções com o banco central e o fundo soberano russos, medidas que deverão contribuir para a acelerada deterioração da situação económica e financeira da Rússia que se verifica neste momento.