Ataque à sede do Governo da Guiné-Bissau provocou 11 mortos

Porta-voz do executivo guineense classificou o ataque como um “crime hediondo e inaudita tentativa de assassínio colectivo” de responsáveis do país.

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Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau Reuters/Radio Bantaba

O porta-voz do Governo da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, revelou esta quinta-feira que o ataque à sede do executivo na terça-feira, por homens armados ainda por identificar, provocou 11 mortos, entre militares e civis.

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O porta-voz do Governo da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, revelou esta quinta-feira que o ataque à sede do executivo na terça-feira, por homens armados ainda por identificar, provocou 11 mortos, entre militares e civis.

Sete das vítimas mortais são militares e paramilitares que se posicionaram em defesa dos elementos das autoridades políticas que se encontravam reunidos em Conselho de Ministros, na presença do Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, adiantou Fernando Vaz.

Um polícia do grupo de insurgentes morreu também no ataque, bem como três civis, afirmou ainda o porta-voz do Governo guineense, que classificou o acto como “crime hediondo e inaudita tentativa de assassínio colectivo” de responsáveis do país.

O porta-voz do Governo guineense notou que o “sacrifício dos jovens que morreram não será em vão”.

Fernando Vaz enalteceu “o estoicismo e o sentido de dever constitucional” de jovens que se posicionaram ao lado das autoridades eleitas e acrescentou que o ataque foi “planeado com rigor” e teria contado com apoios de “pessoas com capacidade financeira”.

O porta-voz do Governo guineense não deu mais pormenores sobre o assunto, mas salientou a “robustez e meios armados” utilizados pelos agressores para justificar a constatação.

Fernando Vaz disse que a intenção era “criar o caos, facilitar o caminho de imediato ao crime organizado internacional” e, desta forma, colocar em causa o trabalho de “refundação do Estado” em curso na Guiné-Bissau, através de acções do Governo e do Presidente do país.

Vários tiros foram ouvidos na terça-feira junto ao Palácio do Governo da Guiné-Bissau onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam.

A tentativa de golpe de Estado já foi condenada pela União Africana, pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), através da presidência angolana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, por Portugal e por vários outros países.

Em declarações aos jornalistas ao início da noite de terça-feira, no Palácio da Presidência, o Presidente guineense afirmou ter-se tratado de um “acto bem preparado e organizado” que poderá também estar ligado a “gente relacionada com o tráfico de droga”.

A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.

Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afectaram o desenvolvimento do país.