Do hip-hop nasceu um movimento de transformação das favelas brasileiras

Preto Zezé é presidente da Central Única das Favelas, uma organização fundada por figuras do movimento hip-hop brasileiro e procura criar lideranças e mudar a narrativas nas favelas. Conversa nesta terça-feira com Gilberto Gil e a jornalista Andréia Sadi online, num festival Rock in Rio que quer reflectir sobre formas de mudar o mundo.

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Preto Zezé: “O problema é que o modelo político, e isso é parte da crise brasileira, não possibilita a participação das pessoas” Daniel de Araújo Ferreira

Preto Zezé costuma dizer que o rap lhe salvou a vida. “O rap chegou na minha vida em 1991, então eu era jovem, tinha ali 15, 16 anos... e era um momento de muita busca de identidade. Eu trabalhava na rua lavando carros, e nessa busca muitos dos meus amigos terminaram sem vida ou presos”, recorda. “Muitas vezes você pegava um atalho e aí você não terminava bem. O rap acabou me ajudando a enxergar como funcionava essa engrenagem que gerava tanta compulsão na juventude para ter uns ténis Nike, para ter uma roupa de marca, para ser uma pessoa notada”, recorda Zezé, que começou como rapper e hoje é presidente da Central Única das Favelas (Cufa), uma organização que tem as suas raízes no movimento hip-hop brasileiro.