Draghi apresenta plano de recuperação económica para reconstruir e modernizar a Itália

Itália vai receber a maior fatia do fundo de reconstrução da União Europeia. Parlamento aprova esta terça-feira o plano do Governo que segue para Bruxelas nos dias seguintes.

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Governo de Draghi conta com forte apoio parlamentar CLAUDIO PERI / EPA

O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, apresentou ontem um ambicioso plano de recuperação económica do qual irá depender “o destino do país” que foi um dos mais afectados pela pandemia da covid-19.

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O primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, apresentou ontem um ambicioso plano de recuperação económica do qual irá depender “o destino do país” que foi um dos mais afectados pela pandemia da covid-19.

O programa de recuperação passa esta terça-feira pelo crivo do Parlamento, onde deverá ser facilmente viabilizado dada a expressiva maioria que apoia o executivo liderado pelo antigo governador do Banco Central Europeu. Draghi não foi poupado na importância com que enquadrou o pacote de investimentos.

“Está em jogo a credibilidade e a reputação de Itália como fundador da União Europeia e protagonista do mundo ocidental”, declarou o primeiro-ministro num discurso no Parlamento. “No conjunto de programas que estou a apresentar-vos aqui hoje está, acima de tudo, o destino do país”, afirmou.

Ao todo, Itália pretende canalizar mais de 200 mil milhões de euros provenientes do fundo de recuperação da UE – a maior fatia do programa “Próxima Geração da UE” no valor de 750 mil milhões de euros para a recuperação económica pós-pandemia – para projectos nas áreas dos transportes, digitalização e ambiente.

Itália foi um dos países europeus mais atingidos pela pandemia da covid-19. Para além dos mais de 119 mil mortos – o valor mais elevado na UE –, a economia nacional contraiu 8,9% no ano passado e foram destruídos perto de um milhão de empregos. O país, que é o maior beneficiário do programa de recuperação da UE, pretende apresentar à Comissão Europeia o seu plano até 30 de Abril, o prazo indicado por Bruxelas.

Draghi espera que o programa aplicado nos próximos anos possa não só atender ao impacto causado pela pandemia, mas também permitir resolver problemas e fragilidades históricas da economia italiana. Um dos principais eixos de investimento é na construção e melhoria da infraestrutura de transporte que liga o Norte do país, mais rico e industrializado, ao Sul, mais pobre e com mais problemas sociais.

Está prevista, por exemplo, a construção de uma linha ferroviária de alta velocidade entre as cidades de Salerno e Reggio Calabria, no valor de 26 mil milhões de euros, e a remodelação da linha que liga Milão e Veneza. “Se cresce o Sul, cresce a Itália”, declarou Draghi.

Uma parte considerável dos investimentos é destinada a projectos ecológicos, perto de 40% do total, que o primeiro-ministro justificou pela maior exposição de Itália “aos riscos climáticos”. Também vai haver um reforço do investimento na educação, com 32 mil milhões de euros disponíveis para elevar o número de creches e promover o ensino vocacional.

O Governo – que conta com um amplo apoio parlamentar, algo raro na sempre instável política italiana – quer aproveitar a janela de oportunidade para fazer avançar reformas que há décadas vêm sendo adiadas. Uma das mais importantes é o aumento da eficiência do sistema judicial, e Draghi comprometeu-se a uma redução de 40% do tempo de espera de conclusão dos processos civis e de 20% para os penais.

A digitalização total da Administração Pública e uma reforma fiscal que simplifique o pagamento de impostos são outros dos objectivos que o Governo quer fazer acompanhar o processo de recuperação económica.

A aplicação dos projectos enunciados por Draghi deverá permitir um crescimento do PIB italiano de 3,6% em 2026 e uma forte criação de emprego.