Nem jazz, nem folk, P.S. Lucas

Depois d’O Experimentar Na M’Incomoda e depois da essencial trilogia criada com Medeiros/Lucas, Pedro Lucas surpreende-nos com In Between, álbum entre o Mediterrâneo e o Atlântico sul, entre o jazz e a folk, nem uma coisa nem outra, qualquer coisa de intermédio. Vale a pena ir ao seu encontro.

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Marianne Harle

Entramos no disco entre a espada e a parede. Entre o dedilhado reverberante da guitarra, terna turbulência, e o ondular do ritmo, cama confortável para a voz caminhar entre os versos: “In between your face and the sky/ Leaping from sigh to sigh/ While we catch our breath/ And tell another lie”, canta Pedro Lucas, ou melhor P. S. Lucas. Assim assina a estreia a solo o músico que descobrimos a trocar as voltas, com maquinaria electrónica, a recolhas do cancioneiro açoriano (estávamos em 2010, apareciam os Experimentar Na M’Incomoda) e, depois, a juntar-se a Carlos Medeiros para levar muito mais longe essa premissa nos magníficos Medeiros/Lucas (Mar Aberto, Terra do Corpo, Sol de Março, trilogia indispensável iniciada em 2015). Agora, Pedro Lucas troca línguas (do português para o inglês) e troca coordenadas: entre luz outonal e brisa delicada, entre o Mediterrâneo e o Atlântico sul, entre o jazz e a folk, nem uma coisa nem outra, qualquer coisa de intermédio, com Leonard Cohen, Nick Drake e Georges Brassens como discretos faróis orientadores, In Between apresenta-se. Vale a pena ir ao seu encontro.