A Livraria Campos Trindade vai fechar na Rua do Alecrim, mas não é o seu fim

Livraria fundada por Tarcísio Trindade fecha portas no fim do mês devido à renda “incomportável” do espaço que ocupa na Rua do Alecrim. Mas este não é o fim de um projecto de vida que começou há 44 anos. Bernardo Trindade quer reabrir a livraria num outro espaço. “Eu só sei fazer isto. Vou continuar.”

Foto
Em Julho de 2016, decorreu na Livraria Campos Trindade uma venda de três mil livros da biblioteca do escritor Miguel Esteves Cardoso Nuno Ferreira Santos/Arquivo

O percurso enche de “orgulho” Bernardo Trindade. Afinal, foi ali que começou, ainda criança, a andar à volta dos livros, quando o pai, Tarcísio Trindade, decidiu abrir a Livraria Campos Trindade na Rua do Alecrim, em Lisboa, há 44 anos. Este mês de Janeiro marca o fim de um capítulo, mas não o fim da história: a livraria vai fechar as portas, mas a intenção é que reabra, daqui a uns meses, num outro espaço que não está ainda definido. 

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

O percurso enche de “orgulho” Bernardo Trindade. Afinal, foi ali que começou, ainda criança, a andar à volta dos livros, quando o pai, Tarcísio Trindade, decidiu abrir a Livraria Campos Trindade na Rua do Alecrim, em Lisboa, há 44 anos. Este mês de Janeiro marca o fim de um capítulo, mas não o fim da história: a livraria vai fechar as portas, mas a intenção é que reabra, daqui a uns meses, num outro espaço que não está ainda definido. 

A história desta livraria-alfarrabista havia de nascer da paixão e do amor de Tarcísio Trindade pelos livros, alguns que atravessam séculos, que descobria e recuperava. Apesar de ter escolhido a capital para abrir este espaço, é em Alcobaça que estão as suas origens. Foi presidente da câmara de Alcobaça ainda antes do 25 de Abril e foi preso por razões políticas. 

Bernardo, hoje com 48 anos, cresceu no meio dos livros. O pai ensinou-lhe a profissão e acabaria por herdar o negócio, quando a doença não permitiu que Tarcísio continuasse a exercer a sua função. 

Fez-se livreiro-alfarrabista. Ainda hoje, procura livros antigos, raros, especiais. E, por isso, há também uma especial atenção aos compradores, para tentar que cada livro vá parar a mãos que lhe dêem o devido valor. Mas também procura ter livros acessíveis, a pensar nos estudantes. 

“Sempre tivemos muita gente”, diz Bernardo Trindade. Depois de um ano difícil, a decisão de encerramento prende-se com a renda “incomportável” que paga pelo espaço. “Deixou de fazer sentido estar a pagar essa renda altíssima.” Com a pandemia, alguns dos clientes mais velhos resguardaram-se mais em casa e deixaram de ir à loja. 

Esta quarta-feira, prevê, será o último dia aberto ao público, uma vez que com a renovação do estado de emergência, decorrente da situação pandémica, o comércio deverá encerrar novamente. 

Até ao final do mês, é tempo de encaixotar 44 anos de história. Sem lamentos e preferindo que se “homenageie a livraria da maneira como ela sempre foi: simples, verdadeira e alegre, em vez de centrar o final de um ciclo num cortejo de lamentos ou sentimentos de perda.” A quem quiser aparecer para a despedida, o livreiro apela a que leve uma uma flor para colocar nas grades da porta e da montra.

O futuro deverá ser desenhado nos próximos meses. “Eu só sei fazer isto. Vou continuar”, afiança Bernardo Trindade. Ainda não sabe onde, mas é sua intenção reabrir um novo espaço. 

O que continuará activo é o site da Livraria Campos Trindade, onde se encontram para venda livros antigos, mas à distância de um telefonema ou de um email o livreiro garante que há um mundo de livros para descobrir.