Já há 72 casos da variante identificada no Reino Unido em Portugal

O relatório aponta já para a “existência de transmissão comunitária” desta variante no país.

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A amarelo, partículas do coronavírus SARS-CoV-2 NIAID

Até agora, em Portugal, foram identificados 72 casos associados à variante encontrada no Reino Unido, segundo um relatório o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa). Esses casos estão distribuídos por dez distritos de Portugal continental e pelas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. O relatório aponta já para a “existência de transmissão comunitária” desta variante no país.

Na actualização da situação sobre a diversidade genética do coronavírus SARS-CoV-2 explica-se que foram inseridas mais 55 sequências com o objectivo de procurar a presença dessa variante em amostras suspeitas. Essas amostras estavam ligadas a casos positivos de covid-19 com historial de viagem e à falha de detecção do gene S em testes de diagnóstico. Muitos laboratórios usam como teste um que detecta o vírus através de três porções do SARS-CoV-2 e uma delas é o gene S. No Reino Unido começou a verificar-se que existia uma grande percentagem de amostras que falhava esse gene, o que poderia ser uma indicação da existência da variante.

Juntam-se agora 38 novos casos associados a esta variante aos 34 antes confirmados. Os casos mais recentes são referentes a amostras colhidas nos aeroportos de Lisboa, do Porto e provenientes de todas as regiões de Saúde do país, excepto da Região Autónoma da Madeira.

A variante já está assim presente nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e em dez distritos de Portugal continental. Esses dez distritos são Aveiro, Beja, Braga, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Setúbal e Viseu, de acordo com Ricardo Leite, investigador do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC). O estudo da diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 (covid-19) em Portugal é feito pelo Insa em colaboração com o IGC.

“A diversidade genética e dispersão geográfica desta variante é concordante com a ocorrência de múltiplas introduções independentes e aponta para a existência de transmissão comunitária”, refere-se no relatório. Acrescenta-se que os resultados foram reportados às entidades de saúde pública para que assim possam ser monitorizados potenciais contactos e cadeias de transmissão.

Até ao momento, através deste estudo de diversidade genética, já se sequenciaram 2342 genomas deste coronavírus com uma representação de 199 concelhos do país.

Da reunião da OMS à dos ministros da Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem vindo a alertar que surgirão ainda mais variantes do SARS-CoV-2 e que é preciso acelerar o processo de descoberta e sequência genética para as acompanhar. Esta semana, num encontro virtual com mais de 1750 especialistas de 124 países, organizado pela OMS, discutiu-se as falhas no conhecimento e as prioridades na investigação das variantes do coronavírus.

No geral, de acordo com um comunicado da OMS, os cientistas destacaram a importância da investigação para detectar e perceber precocemente o impacto potencial de variantes nos diagnósticos, tratamentos e nas vacinas. Foi consensual que é importante integrar o estudo de novas variantes na agenda da investigação e inovação global. Também se sublinhou que é necessária uma melhor vigilância e capacidade laboratorial para monitorizar as linhagens mais preocupantes, assim como isso deve ser acompanhado pela partilha mundial de amostras do vírus e de soro sanguíneo para que investigação sobre essas variantes possa ser logo iniciada.

É normal que um vírus sofra mutações, quanto mais o vírus se espalha mais oportunidades tem para mudar. “Elevados níveis de transmissão significam que se pode esperar o surgimento de mais variantes”, refere a OMS, em comunicado. “O nosso objectivo colectivo é anteciparmo-nos e ter um mecanismo global para rapidamente identificar, estudar variantes preocupantes e entender as suas implicações para os esforços de controlo da doença”, afirmou Ana Maria Henao Restrepo, responsável pela estratégia R&D Blueprint da OMS, que pretende acelerar a as actividades de investigação e desenvolvimento durante as epidemias.

Também esta quarta-feira os ministros da Saúde da União Europeia (UE) se mostraram preocupados com a variante encontrada no Reino pelas suas “características mais transmissíveis”, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, em conferência de imprensa conjunta com a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, que marcou presença em formato digital, depois de uma reunião informal de ministros da Saúde da UE no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O objectivo era fazer um ponto da situação do processo de vacinação e do combate à pandemia.

Citada pela agência Lusa, Marta Temido afirmou que há uma “preocupação com o aumento da nova variante em todos os Estados-membros” e que foi feito um apelo à manutenção das medidas sanitárias. A comissária europeia referiu ainda que “esta nova variante já está a ter um impacto significativo em alguns países europeus” e que não se pode “baixar a guarda”.