França ameaça usar direito de veto em acordo com o Reino Unido

Secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, Clément Beaune, afirma que Paris não assinará um acordo que considere desvantajoso.

Foto
Clément Beaune disse à Europe 1 que França não aceitará um mau acordo BENOIT TESSIER/EPA

A França quer que a União Europeia chegue a acordo com o Reino Unido, mas não aceitará um que seja desvantajoso para o país, disse esta sexta-feira o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Clément Beaune, à rádio Europe 1.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

A França quer que a União Europeia chegue a acordo com o Reino Unido, mas não aceitará um que seja desvantajoso para o país, disse esta sexta-feira o secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Clément Beaune, à rádio Europe 1.

“É preciso prepararmo-nos para o risco de um ‘no deal’, mas não é o que queremos”, declarou, em relação ao acordo pós-"Brexit”. “Espero ainda que seja possível haver um acordo, mas não aceitaremos um acordo mau para a França. Se houver um acordo que não seja bom, vamos opor-nos com um veto”, garantiu.

Também o líder do Conselho Europeu, Charles Michel, falou sobre o assunto esta sexta-feira: “Queremos um acordo, mas não a qualquer preço, isso não é novo”, disse o responsável, citado pelo Politico. “É essencial no final das negociações ter um acordo que seja aceitável para todos os Estados membros”, sublinhou.

Na quarta-feira, o enviado francês tinha avisado o negociador Michel Barnier da possibilidade de um veto francês – como Bruxelas ficaria mal na fotografia se houvesse um acordo que fosse depois vetado por algum líder europeu, segundo a Bloomberg.

Nas declarações à Europe 1, Beaune dirigiu-se ao público francês: “Quero dizer aos nossos pescadores, aos nossos produtores, aos cidadãos que nos ouvem que não aceitaremos um acordo com condições más”, mesmo que a alternativa seja não haver acordo, o que seria penalizador para todos os lados, sublinhou.

“Para haver um bom acordo é preciso sermos francos e dizermos quais são os nossos interesses”, disse ainda, concluindo com uma farpa a Londres. “Nós temos sido sempre transparentes. Os britânicos, por vezes, um pouco menos.”

Uma fonte britânica citada pela Reuters disse, por outro lado, que a União Europeia “está a trazer novos elementos para a negociação” e tentar forçar concessões perto do final do prazo.

Com menos de quatro semanas para conseguir um acordo até 31 de Dezembro, data em que acaba o período de transição e o Reino Unido sai automaticamente do mercado único, as negociações para a parceria futura entre UE e Reino Unido parecem estar a registar poucos progressos.