Ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia demite-se devido ao cessar-fogo no Nagorno-Karabakh

Governo arménio enfrenta oposição ao acordo por parte da população, com milhares nas ruas a pedir a demissão do primeiro-ministro.

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O Governo da Arménia, chefiado por Nikol Pashinyan, está sob forte pressão por ter aceitado um acordo que implicou uma improtante perda de território EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Zohrab Mnatsakanyan, demitiu-se esta segunda-feira, numa consequência política de um acordo de cessar-fogo no conflito do Nagorno-Karabakh em que o Azerbaijão obteve ganhos territoriais relevantes.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arménia, Zohrab Mnatsakanyan, demitiu-se esta segunda-feira, numa consequência política de um acordo de cessar-fogo no conflito do Nagorno-Karabakh em que o Azerbaijão obteve ganhos territoriais relevantes.

A saída de Mnatsakanyan, que estava no cargo desde Maio de 2018, foi anunciada pela porta-voz do Ministério na página oficial no Facebook.

O Governo do primeiro-ministro Nikol Pashinyan tem enfrentado grande oposição popular ao acordo que pôs fim a seis semanas de confrontos, o mais grave reacender do conflito na região desde o fim do da guerra anterior, em 1994, com milhares de manifestantes a pedirem a sua demissão. E esta segunda-feira, voltaram a juntar-se centenas de manifestantes na praça central de Erevan.

O cessar-fogo assinado pelos líderes da Arménia, Azerbaijão e Rússia a 10 de Novembro fez com que terminassem os confrontos na região do Nagorno-Karabakh, um enclave de etnia e controlo arménios dentro das fronteiras oficiais do Azerbaijão.

Zohrab Mnatsakanyan e o seu homólogo do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov, encontraram-se três vezes no último mês e meio para tentar chegar a um acordo de cessar-fogo, sem o terem conseguido concretizar até à semana passada quando Mnatsakanyan disse haver um entendimento “indescritivelmente doloroso”.

Durante mais de 25 anos até ao reinício dos confrontos a 27 de Setembro, a população de etnia arménia tinha controlo de uma zona montanhosa e de uma parte substancial de território do Azerbaijão à sua volta. Agora perderam grande parte do enclave, incluindo a sua segunda cidade, Shushi, que no Azerbaijão é chamada Shusha, e território adjacente.

O primeiro-ministro arménio defendeu-se dizendo que a guerra que agora terminou poderia ter sido evitada se os arménios tivessem cedido o controlo de sete regiões em volta de Nagorno-Karabakh assim como Shushi. “Mas enfrentámos o desafio da guerra”, declarou.

Pouco depois, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Anna Naghdalyan, escreveu no Facebook que abdicar do controlo de Shushi nunca tinha estado em cima da mesa nas negociações entre os dois lados. 

O chefe do Governo arménio disse que a estrada que atravessa a região de Lachin e que liga o Estado arménio ao enclave iria reabrir esta segunda-feira, permitindo a muitos deslocados voltar a casa.