Opinião

Abaixo assinado: A clareza que defendemos

A democracia liberal precisa de soluções consistentes e exequíveis, não de discursos demagógicos, incendiários, revanchistas.

Os últimos anos têm sido marcados por uma inquietante deriva e uma insustentável amálgama na política europeia e americana. Uma deriva nacionalista, identitária, tribal. E uma amálgama que faz o seu caminho entre forças da direita autoritária e partidos conservadores, liberais, moderados e reformistas. Estas tendências exigem uma tomada de posição. A deriva deve ser enfrentada. E a amálgama tem de terminar quanto antes, sem cumplicidades nem tibiezas.

Porque uma coisa é os movimentos nacional-populistas, xenófobos e autocráticos assumirem aquilo que são; outra, mais grave, é o espaço não-socialista deixar-se confundir com políticos e políticas que menosprezam as regras democráticas, estigmatizam etnias ou credos, acicatam divisionismos, normalizam a linguagem insultuosa, agitam fantasmas históricos, degradam as instituições.

A aceitação desta amálgama ideológica por parte das direitas democráticas constitui uma afronta à sua história e o prenúncio de um colapso moral. Trump não é Lincoln, T. Roosevelt ou Reagan. A «democracia iliberal» húngara não é aceitável num Partido Popular Europeu de tradição democrata-cristã. O neo-franquismo não é herdeiro da direita espanhola da Transição e do pacto constitucional. O espaço do centro-direita e da direita portuguesa não é o do extremismo, seja esse extremismo convicto ou oportunista.

É certo que muitos à esquerda têm cedido a frentismos que anteriormente rejeitavam. Mas a essas derivas não devem os não-socialistas responder cooptando os radicalismos de sentido contrário. A democracia liberal precisa de soluções consistentes e exequíveis, não de discursos demagógicos, incendiários, revanchistas.

Não contestamos a legitimidade dos novos movimentos de direita, nem ignoramos as razões de descontentamento e exasperação dos seus apoiantes. Mas não se responde à deriva com a amálgama. É preciso deixar bem claro que as direitas democráticas não têm terreno comum com os iliberalismos. É essa clareza que defendemos.

Adolfo Mesquita Nunes
Alexandre Homem Cristo
Ana Margarida Craveiro
Ana Rita Bessa
Ana Rodrigues Bidarra
André Abrantes Amaral
Bruno Alves
Bruno Vieira Amaral
Carla Quevedo
Carlos do Carmo Carapinha
Carlos Guimarães Pinto
Carlos Marques de Almeida
Cecília Carmo
Diana Soller
Diogo Belford Henriques
Eugénia Galvão Teles
Fernando Alexandre
Francisco José Viegas
Francisco Mendes da Silva
Gonçalo Dorotea Cevada
Henrique Burnay
Henrique Raposo
Inês Teotónio Pereira
João Amaro Correia
João Diogo Barbosa               
João Nuno Vaz Tomé
João Taborda da Gama
José Diogo Quintela
José Eduardo Martins
Lourenço Cordeiro
Margarida Olazabal Cabral
Miguel Esteves Cardoso
Miguel Loureiro
Miguel Monjardino
Miguel Poiares Maduro
Nuno Amaral Jerónimo
Nuno Gonçalo Poças
Nuno Miguel Guedes
Nuno Sampaio
Pedro Gomes Sanches
Pedro Mexia
Pedro Norton
Pedro Picoito
Raquel Vaz-Pinto
Rubina Berardo
Samuel de Paiva Pires
Samuel Úria
Sandra Clemente
Sebastião Bugalho
Teresa Caeiro
Teresa Violante
Vasco Ressano Garcia
Vasco Rosa
Vera Gouveia Barros

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