Revista Scientific American anuncia apoio a Biden. É a primeira vez que a publicação apoia um candidato

Em 175 anos de história, a publicação científica nunca tinha apoiado um candidato presidencial. “Chegou a altura de tirar Trump [do poder] e eleger Biden, que tem um historial de seguir os dados e de ser guiado pela ciência”, dizem os editores.

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Para os editores da revista, Biden está a “oferecer planos baseados em factos" Reuters/LEAH MILLIS

A revista científica Scientific American anunciou esta terça-feira que apoia o democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de Novembro nos Estados Unidos. É a primeira vez em 175 anos de história que a publicação apoia um candidato presidencial.

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A revista científica Scientific American anunciou esta terça-feira que apoia o democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de Novembro nos Estados Unidos. É a primeira vez em 175 anos de história que a publicação apoia um candidato presidencial.

No texto em que justificam a decisão, os editores da Scientific American começam por destacar que esta opção não foi feita “de ânimo leve”. “Este ano, somos obrigados a fazê-lo”, salientam.

“As provas e a ciência mostram que Donald Trump prejudicou gravemente os EUA e o seu povo – porque ele rejeita as evidências e a ciência”, criticam, exemplificando com o combate à pandemia de covid-19. A “resposta desonesta” do Presidente ao novo coronavírus e o “ataque aos cuidados médicos e aos investigadores e agências científicas públicas” são alguns dos motivos que a revista apresenta para defender o voto em Joe Biden.

Para os editores da publicação, o candidato democrata está a “oferecer planos baseados em factos para proteger a nossa saúde, a nossa economia e o ambiente”, ao contrário de Trump, que foi alertado para a propagação da covid-19 no início do ano, mas “não desenvolveu uma estratégia nacional para fornecer equipamento de protecção, testes ao coronavírus ou directrizes sanitárias claras”.

Os responsáveis da Scientific American referem outros erros no combate à pandemia nos Estados Unidos, como o uso de máscara em espaços públicos, e indicam que se poderia salvar cerca de 66 mil vidas até Dezembro, de acordo com uma projecção da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

Os editores criticam ainda a postura de Trump por não usar máscara, desvalorizar a pandemia ou ignorar os especialistas em doenças infecciosas. Acusam-no ainda de “mentir repetidamente ao público sobre a ameaça mortal da doença, dizendo que não era uma preocupação séria” e por equiparar a covid-19 a uma gripe. “As suas mentiras encorajaram as pessoas a envolverem-se em comportamentos de risco, espalhando ainda mais o vírus”, apontam.

Por outro lado, Joe Biden está “preparado com planos para controlar a covid-19, melhorar os cuidados de saúde, reduzir as emissões de carbono e restaurar o papel da ciência legítima na elaboração de políticas”, dizem os responsáveis da Scientific American.

No texto são enumeradas várias medidas que Biden pretende implementar, como o aumento do número de testes de covid-19, a criação de um corpo de emprego de saúde pública ou a subida dos salários dos trabalhadores que prestam cuidados a crianças. Os editores da publicação científica destacam que este plano é feito com o aconselhamento de especialistas reconhecidos.

“Embora Trump e os seus aliados tenham tentado criar obstáculos que impeçam as pessoas de votar com segurança em Novembro, seja por correio ou pessoalmente, é crucial que os superemos e que votemos. Chegou a altura de tirar Trump [do poder] e eleger Biden, que tem um historial de seguir os dados e de ser guiado pela ciência”, conclui a nota da Scientific American.