Portugal aposta na experiência e deixa testes para depois

Fernando Santos convocou 25 jogadores para as partidas com a Croácia e com a Suécia, que marcam o arranque da Liga das Nações. Rui Silva e Francisco Trincão são as grandes novidades.

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LUSA/KIMMO BRANDT

Quase 300 dias depois de Portugal garantir no Luxemburgo o apuramento para o Euro 2020, competição que foi adiada por um ano devido à pandemia de covid-19, Fernando Santos arrancou a preparação para a defesa do título na Liga das Nações com a divulgação da convocatória para os dois primeiros jogos da selecção portuguesa no Grupo 3 da Liga A. Com “pouca informação” sobre o actual momento dos jogadores, “a solução” encontrada foi “optar em 95% da convocatória por aqueles que há mais tempo” fazem parte das escolhas do seleccionador português. As excepções são Rui Silva, Domingos Duarte e Francisco Trincão, que podem estrear-se pela principal equipa de Portugal no duplo confronto com a Croácia e a Suécia, nos dias 5 e 8 de Setembro.

Tirando “algumas mensagens trocadas”, Fernando Santos deixou ontem implícito que, depois de “dez meses sem conversas directas”, esta foi a convocatória que mais problemas lhe causou, obrigando a reformular os habituais “critérios” de selecção. Se, por norma, conta “o estado do jogador, a sua forma, o tempo de jogo”, desta vez, com os calendários dos campeonatos nacionais completamente baralhados devido à pandemia, há “pouca informação”, originando “um caso anormal”.

Assim, como com um “critério único era muito difícil fazer a convocatória”, Fernando Santos apostou na experiência, chamando quem conhece melhor os métodos do técnico e as rotinas na Cidade do Futebol: “Não tendo tempo para treinar e não conhecendo a forma física dos jogadores, a solução foi optar em 95% da convocatória por jogadores que há mais tempo estão connosco, melhor conhecem as nossas ideias, o que é o nosso plano e estratégia para o jogo. Não foi na totalidade, mas foi esse critério.”

Deixando o aviso que, embora o objectivo seja repetir a vitória na Liga das Nações, no futuro vai “aproveitar esta competição” para “começar a pensar no Campeonato da Europa”, o que significa que “seja natural que nas próximas convocatórias alguns jogadores” que o seleccionador “tem a necessidade de ver” sejam chamados para jogar, Fernando Santos convocou para os confrontos com a Croácia e Suécia 12 dos 14 futebolistas que utilizou no decisivo jogo no Luxemburgo, realizado em Novembro do ano passado — Ricardo Pereira e Pizzi são as excepções. 

Com Rúben Semedo de fora das opções (o defesa do Olympiacos tem covid-19), duas das novidades estão no trio de guarda-redes. Para além de Rui Patrício, Santos voltou a chamar Anthony Lopes — o seleccionador explicou que o jogador do Lyon já resolveu os problemas familiares que ditaram o seu afastamento — e incluiu Rui Silva pela primeira vez nos convocados. Com um trajecto pelas selecções jovens nacionais, o guarda-redes de 26 anos viu premiada a excelente época 2019-20 que fez no Granada.

Na defesa, as escolhas foram as esperadas. A principal dúvida recaía no nome de quem fecharia o quarteto de centrais, juntando-se a Pepe, Rúben Dias e Fonte. Com Rúben Semedo indisponível, o escolhido foi outro jogador do Granada: Domingos Duarte. O central, que acabou a formação no Sporting, já tinha sido convocado nos últimos jogos, mas ainda não foi utilizado. 

No lote dos sete escolhidos para o meio-campo, não há nenhum estreante, mas William Carvalho, João Mário, Pizzi ou Adrien ficaram de fora, destacando-se as chamadas de Renato Sanches, que já está a competir na Ligue 1, e de Sérgio Oliveira. 

Finalmente, no ataque, há um nome que sobressai: Francisco Trincão. O extremo de 20 anos, contratado pelo Barcelona ao Sp. Braga, é o primeiro da geração que venceu em 2018 o Europeu de sub-19 a ser chamado por Fernando Santos. Ausente por decisão do técnico da fase de grupos da primeira edição da Liga das Nações, Ronaldo será agora um dos trunfos de Portugal e, segundo o seleccionador, “em termos de motivação”, se os restantes convocados estiverem como o capitão português, “é garantido que estão todos bem”.