A política cultural Gabba Gabba Hey!

Quando o Ministério da Cultura é um elemento decorativo, pode perguntar-se: para que serve? Serve para compor poses, não para resolver problemas.

No início da sua carreira, os Ramones, grupo punk americano, tinham um problema. Dee Dee Ramone não conseguia cantar e tocar baixo ao mesmo tempo. E Joey Ramone não conseguia tocar bateria e cantar em simultâneo. Eram coisas a mais para quem só queria fazer canções muito curtas. Assim, Joey passou apenas a cantar. Em 1977, o som da banda era uma trituradora para os ouvidos. Depois de terem visto um filme de terror, chamado Freaks, os Ramones criaram um tema que continha a frase que sintetizava toda a sua filosofia: Gabba Gabba Hey!. Uma maravilha. Há dias, o sr. António Costa decidiu recuperar o legado dos Ramones e inaugurou a nova política cultural do Governo. Chama-se Gabba Gabba Hey! Não é um acaso: é um salto em frente face à inexistente política seguida até aqui pelo Ministério da Cultura, conhecida por Yabba-dabba-doo!, uma homenagem ao inimitável Fred Flintstone. A diferença entre uma e outra é que a primeira é feita ao som de guitarras distorcidas e tem dinheiro para distribuir pela assistência, enquanto a segunda era do tempo da Idade da Pedra e só tinha carros com rodas quadradas para partilhar.

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No início da sua carreira, os Ramones, grupo punk americano, tinham um problema. Dee Dee Ramone não conseguia cantar e tocar baixo ao mesmo tempo. E Joey Ramone não conseguia tocar bateria e cantar em simultâneo. Eram coisas a mais para quem só queria fazer canções muito curtas. Assim, Joey passou apenas a cantar. Em 1977, o som da banda era uma trituradora para os ouvidos. Depois de terem visto um filme de terror, chamado Freaks, os Ramones criaram um tema que continha a frase que sintetizava toda a sua filosofia: Gabba Gabba Hey!. Uma maravilha. Há dias, o sr. António Costa decidiu recuperar o legado dos Ramones e inaugurou a nova política cultural do Governo. Chama-se Gabba Gabba Hey! Não é um acaso: é um salto em frente face à inexistente política seguida até aqui pelo Ministério da Cultura, conhecida por Yabba-dabba-doo!, uma homenagem ao inimitável Fred Flintstone. A diferença entre uma e outra é que a primeira é feita ao som de guitarras distorcidas e tem dinheiro para distribuir pela assistência, enquanto a segunda era do tempo da Idade da Pedra e só tinha carros com rodas quadradas para partilhar.