Governo ter-se-á enganado: Observador devia receber 90 mil euros, mas jornal continua a rejeitar apoio

Ao PÚBLICO, fonte da administração do Observador afirma que a intenção de rejeitar o apoio do Estado se mantém, independentemente de a verba ser de 90 mil euros e não de cerca de 20 mil euros, como foi anunciado na resolução do Conselho de Ministros.

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O Ministério da Cultura ainda não confirmou a informação LUSA/TIAGO PETINGA

Afinal, as contas anunciadas na resolução do Conselho de Ministros sobre a distribuição 15 milhões de euros em publicidade institucional que constam no plano de ajuda à comunicação social para enfrentar a crise decorrente da pandemia de covid-19 podem estar erradas. De acordo com fonte da administração do Observador, depois das duras críticas feitas pelo publisher, José Manuel Fernandes, e do anúncio de que a rádio e jornal Observador iriam rejeitar o apoio, a administração terá sido informada de que houve um erro no cálculo da verba correspondente ao jornal digital e que em vez dos 20 mil euros anunciados, o apoio previsto para este órgão de comunicação social é de 90 mil euros. Mas aguarda ainda a comunicação formal do gabinete do Ministério da Cultura.

Não obstante, a mesma fonte da administração conta ao PÚBLICO que o jornal deverá manter a intenção de rejeitar o apoio estatal “qualquer que seja o valor”.

Em resposta às primeiras críticas, o Governo assegurou que a distribuição foi feita “de acordo com critérios proporcionais e objectivos”. Mas a garantia não convenceu o Observador, e a administração do jornal anunciou que irá rejeitar a verba que lhe era destinada. A mesma decisão tomou também o jornal Eco, que irá rejeitar a verba de 19 mil euros.

De acordo com o comunicado da administração do jornal e rádio Observador, “o programa não cumpre critérios mínimos de transparência e probidade para que o Observador possa aceitar fazer parte dele”.

Também a administração do jornal Eco decidiu rejeitar o apoio de cerca de 19 mil euros que estava destinado. Num artigo de opinião, Rui Freitas, presidente do conselho de administração da Swipe News, proprietária do Eco, argumenta que “há mais alternativas para o apoio público aos media que salvaguarde a sua independência”. “Não podemos deixar de sublinhar que este processo não tem a transparência que se exige tendo em conta o dinheiro público envolvido e o sector abrangido​”, lê-se.

O PÚBLICO já questionou o Ministério da Cultura, mas aguarda ainda respostas.