Alemanha planeia “certificados de imunidade” para o regresso à vida normal

A medida prevê testes para determinar quem já desenvolveu anticorpos ao novo coronavírus. Esses poderiam iniciar um retorno à vida normal.

Foto
A Alemanha espera conseguir ir gradualmente abrindo as escolas e permitindo ajuntamentos públicos de maior dimensão WOLFGANG RATTAY/Reuters

Quem tiver tido covid-19 poderá, depois da realização de um teste que comprove a total recuperação, voltar à vida normal com um “certificado de imunidade”. Esta é a ideia que está a ser estudada na Alemanha para evitar que as medidas de contenção do coronavírus afectem a economia mais do que o estritamente necessário, revela a revista alemã Der Spiegel

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Quem tiver tido covid-19 poderá, depois da realização de um teste que comprove a total recuperação, voltar à vida normal com um “certificado de imunidade”. Esta é a ideia que está a ser estudada na Alemanha para evitar que as medidas de contenção do coronavírus afectem a economia mais do que o estritamente necessário, revela a revista alemã Der Spiegel

O objectivo dos investigadores do Centro Helmholtz para a Investigação de Doenças Infecciosas que estão a desenvolver o plano é testar 100 mil pessoas, dando certificados a todas as que, entretanto, tiverem desenvolvido os anticorpos e, portanto, a imunidade ao novo coronavírus, e que poderão assim regressar ao trabalho de forma normal. Com esta medida, a Alemanha espera conseguir ir gradualmente abrindo as escolas e permitindo ajuntamentos públicos de maior dimensão.

Até agora, os testes de sangue realizados a doentes infectados permitiam comprovar apenas o grau de imunidade que tinham desenvolvido em relação aos coronavírus em geral, e não ao covid-19 em particular. O trabalho dos investigadores do Centro Helmholtz, em Braunschweig, uma equipa liderada pelo epidemiologista Gerard Krause, vai permitir identificar os anticorpos para o covid-19, o que ajudará também a perceber exactamente quantas pessoas foram infectadas mesmo sem terem tido sintomas. Será também possível calcular com maior fiabilidade o grau de mortalidade provocado pelo novo coronavírus.

Segundo a Der Spiegel, o projecto deverá ser aprovado no início de Abril com os primeiros resultados esperados no final do mês. Os dados mais recentes indicam que o número de infectados na Alemanha atinge os 62 mil, com 541 mortos até agora. O caso alemão tem sido considerado um bom exemplo por ter conseguido manter uma taxa de mortalidade baixa. E as sondagens de popularidade revelam que a forma como o Governo tem lidado com a pandemia está a fazer crescer o apoio à chanceler Angela Merkel.

Tal como noutros países, a questão de como começar a aliviar as medidas de contenção da pandemia é, neste momento, central para os governantes. Ainda de acordo com a Der Spiegel, na Alemanha tem havido uma divisão entre os defensores da “linha dura”, entre os quais se contam governadores de alguns estados, e os mais moderados, grupo que inclui Angela Merkel. Estes defendem que se deve medir o impacto das medidas já em vigor e só em função disso avançar para outras mais restritivas, se for necessário. Ou, se a evolução for positiva, aliviar as mais rigorosas – e é precisamente aí que entra o cenário dos “certificados de imunidade”.