UTAD estuda aplicação da amêndoa na cosmética e farmacêutica

A amêndoa é um dos frutos secos mais produzidos a nível mundial e tem um elevado impacto económico em Trás-os-Montes e Alto Douro. O cascarão e a película, subprodutos da amêndoa, têm “acentuada actividade” antibacteriana.

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chuttersnap/Unsplash

Uma investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) revelou que os subprodutos da amêndoa, o cascarão e a película, possuem uma “acentuada actividade” antibacteriana e podem ser utilizados nas indústrias farmacêutica e cosmética.

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Uma investigação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) revelou que os subprodutos da amêndoa, o cascarão e a película, possuem uma “acentuada actividade” antibacteriana e podem ser utilizados nas indústrias farmacêutica e cosmética.

A croata Iva Prgomet, aluna de doutoramento do programa Agrichains do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da UTAD, em Vila Real, estudou os subprodutos da amêndoa como o cascarão (parte exterior), a casca, a película que envolve o fruto e a água utilizada para remover essa película.

A amêndoa é um dos frutos secos mais produzidos a nível mundial e tem um elevado impacto económico em Trás-os-Montes e Alto Douro. O objectivo foi, segundo salientou Iva Prgomet, “dar um valor acrescentado a estes subprodutos” e promover a “economia circular”.

No âmbito da investigação foram estudados parâmetros nutricionais, bioquímicos e microbiológicos. “O cascarão e a película exibiram uma actividade antibacteriana muito boa, o que mostra um interesse potencial para estes subprodutos”, afirmou à agência Lusa.

A docente da UTAD e responsável pelo CITAB, Ana Barros, acrescentou que o trabalho revelou que os cascarões e a película “têm uma actividade antibacteriana muito acentuada contra estirpes bacterianas que são potencialmente patogénicas e resistentes a múltiplos fármacos”. “Quando a Organização Mundial de Saúde diz que em 2050 um dos principais problemas de saúde que se vai sentir é a resistência a antibióticos, é premente e urgente nós tentarmos arranjar alternativas aos antibióticos comerciais”, salientou.

Ana Barros reforçou que estes subprodutos agro-industriais podem ser reaproveitados para as “indústrias cosmética e farmacêutica porque comprovaram ter uma actividade antibacteriana elevada”. Elencou ainda a “actividade anti-inflamatória e antioxidante”, pelo que acredita que podem vir a ser utilizados como “creme anti-rugas ou como creme de tratamento de feridas”.

Os resultados no laboratório, segundo as responsáveis, foram “bons”. No entanto, ressalvaram que os estudos vão prosseguir e que, até o produto poder chegar ao mercado, há ainda que ultrapassar “mutas fases, testes e directivas”.

Iva Prgomet participou num outro estudo, na Universidade Politécnica de Valência (Espanha), que incidiu na utilização da casca da amêndoa como substrato, nomeadamente para a produção de manjericão, o que já está a ser aplicado pela indústria.

Em 2019, a produção de amêndoa em Portugal foi de cerca 30 mil toneladas. Segundo dados do Ministério da Agricultura, entre 2009 e 2018 registou-se um crescimento de 48% da área de amendoal no país. E de 2010 a 2018 verificou-se um aumento de 208% na produção de amêndoa.

A distribuição da área de amendoal, em 2018, era: Trás-os-Montes com 54%, Alentejo com 23%, Algarve com 19% e Beira Interior com 4%.