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O “dramático” declínio dos pinguins-de-barbicha na Antárctida

Numa expedição à Antárctida Ocidental, cientistas verificaram que, desde os anos 70, a população de pinguins-de-barbicha caiu até 77% — e as alterações climáticas podem explicá-lo. “Em que tipo de mundo é que queremos viver?”, questionam.

O número de pinguins-de-barbicha em algumas colónias da Antárctida Ocidental caiu até 77% desde a última vez que a espécie foi estudada, ainda nos anos 70, segundo os cientistas que estudam o impacto das alterações climáticas nesta região remota. Este animal, assim chamado por causa da estreita faixa negra que tem debaixo da cabeça, habita as ilhas e costas do Pacífico Sul e o Oceano Antárctico e alimenta-se de krill [pequenos crustáceos].

“O declínio a que temos assistido é definitivamente dramático”, diz à Reuters Steve Forrest, um biólogo de conservação que se juntou à equipa de cientistas das universidades americanas Stony Brook e Northeastern numa expedição pela Antárctida que acabou recentemente.

PÚBLICO - Membros da tripulação a bordo do navio Esperanza, perto do Canal Lemaire.
Membros da tripulação a bordo do navio Esperanza, perto do Canal Lemaire. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Hanna Jauhiainen, activista da Greenpeace,  olha pela janela do navio Esperanza, perto de Quentin Point.
Hanna Jauhiainen, activista da Greenpeace, olha pela janela do navio Esperanza, perto de Quentin Point. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Usnea Granger, activista da Greenpeace, faz tranças à colega Julia Zanolli, a bordo do navio Esperanza, perto do canal Lemaire.
Usnea Granger, activista da Greenpeace, faz tranças à colega Julia Zanolli, a bordo do navio Esperanza, perto do canal Lemaire. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Usnea Granger, activista da Greenpeace, veste roupa térmica, a bordo do navio Esperanza, perto de Quentin Point.
Usnea Granger, activista da Greenpeace, veste roupa térmica, a bordo do navio Esperanza, perto de Quentin Point. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Usnea Granger, activista da Greenpeace, faz exercício a bordo do navio Esperanza, perto da passagem de Drake.
Usnea Granger, activista da Greenpeace, faz exercício a bordo do navio Esperanza, perto da passagem de Drake. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Activistas da Greenpeace caminham pela neve durante um dia livre em Orne Harbour.
Activistas da Greenpeace caminham pela neve durante um dia livre em Orne Harbour. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Activistas da Greenpeace brincam na neve durante um dia livre.
Activistas da Greenpeace brincam na neve durante um dia livre. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Wethington recolhe lixo
Wethington recolhe lixo Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Pico de rocha na ilha da Neve.
Pico de rocha na ilha da Neve. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Glaciar na ilha de Two Hummock.
Glaciar na ilha de Two Hummock. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Pedaços de gelo flutuam na água perto da baía de Fournier.
Pedaços de gelo flutuam na água perto da baía de Fournier. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Um grupo de pinguins caminha por Quentin Point.
Um grupo de pinguins caminha por Quentin Point. Ueslei Marcelino / Reuters
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Pinguim-de-barbicha Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Um pinguim-de-barbicha salta para a água
Um pinguim-de-barbicha salta para a água Ueslei Marcelino / Reuters
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Colónia de pinguins-de-barbicha Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Uma colónia de pinguins-de-barbicha caminha por uma montanha na ilha de Two Hummock.
Uma colónia de pinguins-de-barbicha caminha por uma montanha na ilha de Two Hummock. Ueslei Marcelino / Reuters
PÚBLICO - Uma foca a descansar no topo da ilha da Neve.
Uma foca a descansar no topo da ilha da Neve. Ueslei Marcelino / Reuters
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Colónia de pinguins-gentoo na ilha da Neve. Ueslei Marcelino / Reuters
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Uma foca responde na ilha da Neve. Ueslei Marcelino / Reuters
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Icebergue a flutuar perto da baía de Fournier. Ueslei Marcelino / Reuters
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Uma colónia de pinguins-de-barbicha reunida na ilha de Anvers. Ueslei Marcelino / Reuters
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“Algo se passa com aos blocos fundamentais da cadeia alimentar aqui. Temos uma menor abundância de comida, o que está a diminuir cada vez mais estas populações. A questão é: isto vai continuar assim?”

Os cientistas, que viajaram em dois navios da Greenpeace, o Esperanza e o Arctic Sunrise, realizaram uma expedição à Antárctida Ocidental de 5 de Janeiro a 8 de Fevereiro, e usaram técnicas manuais e de observação com drones para avaliar os danos. Assim descobriram que, desde o último levantamento, em 1971, o número de pinguins-de-barbicha num habitat importante da região — a ilha Elefante — caiu cerca de 60%, para menos de 53 000 pares reprodutores.

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Steve Forrest conta o número de pinguins-de-barbicha numa colónia da Ilha Anvers. UESLEI MARCELINO / REUTERS

“Diversos factores podem ter influenciado, mas todas as evidências apontam para as alterações climáticas como responsáveis pelas mudanças a que estamos a assistir”, explica Heather Lynch, professora associada de ecologia e evolução da Universidade de Stony Brook.

A Organização Mundial de Meteorologia anunciou no início de Fevereiro que uma base de investigação na Antárctida tinha registado a maior temperatura de sempre no continente – 18,3 graus Celsius (64,94 graus Fahrenheit). O aquecimento global tem também levado a um aumento do derretimento dos lençóis de gelo em torno do Pólo Sul.

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Par de pinguins-de-barbicha nada perto da Ilha de Two Hummock. UESLEI MARCELINO / REUTERS

O cheiro forte a excrementos de pinguim indica aos cientistas que se estão a aproximar de uma colónia ainda antes de conseguirem ouvir o chamamento ruidoso dos pássaros. As aves não aprenderam a temer os humanos, então ignoram os visitantes a maior parte do tempo.

A Greenpeace está a pressionar as Nações Unidas para que se comprometa a proteger 30% dos oceanos até 2030, uma meta definida por cientistas e um crescente número de governos como a mínima necessária para parar os estragos causados pela actividade humana. De 23 de Março a 3 de Abril, a organização internacional vai tentar chegar a um consenso relativamente a um acordo global sobre os oceanos, que ainda pode demorar anos a ratificar

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Baleia a nadar perto de Orne Harbour. Ueslei Marcelino / Reuters

“Acho que podemos perder muito do que amamos… como os pinguins da ilha Elefante. Mas, no fundo, em que tipo de mundo é que queremos viver?”, desabafa Frida Bengtsson, activista da Greenpeace Oceanos, ao largo da ilha Anvers. “Os nossos oceanos são incrivelmente importantes para regular o clima global.”

Para Usnia Granger, uma activista de 36 anos que participou na expedição como marinheira, visitar a Antárctida foi “um sonho tornado realidade”, mesmo com todo o trabalho duro de limpar, pintar, amarrar e ajudar a recolher algum do lixo que chega à costa,

“Acho que o caos global do clima está a provocar destruição em todo o lado e não imagino que na Antárctida possa ser diferente”, conta à Reuters. “Sinto que é um privilégio poder ver isto agora, antes que comece a mudar ainda mais.”

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A lua a brilhar sobre os icebergues perto da baía de Fournier. Ueslei Marcelino / Reuters
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