Os três Presidentes ameaçados pelo impeachment antes de Trump

Andrew Johnson, Richard Nixon e Bill Clinton estiveram na mesma posição que o actual Presidente.

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Trump é o quarto Presidente a enfrentar o processo de impeachment JIM LO SCALZO/EPA

Andrew Johnson (1868)

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Andrew Johnson (1868)

Acusação: 11 artigos de impeachment, incluindo “envergonhar e ridicularizar a presidência com as suas palavras e acções”.

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Johnson ficou a apenas um voto de ser afastado da Casa Branca DR

Julgamento: Condenado em três acusações com 35 votos a favor e 19 contra. Não foi afastado da Casa Branca por apenas um voto.

Andrew Johnson subiu à presidência após o assassínio de Abraham Lincoln, em Abril de 1865. Responsável pelos destinos do país à saída da Guerra Civil, defendeu uma rápida integração dos estados rebeldes na união federal, mas sem cuidar da protecção legal dos antigos escravos. Em Maio de 1868, quando demitiu o secretário da Guerra, Edwin Stanton, contra uma lei aprovada pelo Congresso, as suas profundas divergências políticas com a maioria do Partido Republicano na Câmara dos Representantes resultaram num processo de impeachment.

Richard Nixon (1974)

Acusação: três artigos de impeachment aprovados na Comissão de Justiça que não chegaram à fase de votação na Câmara dos Representantes (obstrução da Justiça, abuso de poder e desrespeito pelo Congresso).

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Nixon no dia em que anunciou a sua demissão da Casa Branca, a 9 de Agosto de 1974 DR

Julgamento: Richard Nixon demitiu-se antes de ser acusado formalmente na Câmara dos Representantes e de ser julgado no Senado.

Durante dois anos, Nixon negou qualquer envolvimento no assalto à sede da Comissão Nacional do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington D.C., em Junho de 1972. Em Abril de 1974, depois de vários momentos de tensão entre a Casa Branca e o Congresso, e com as investigações iniciadas pelo jornal Washington Post cada vez mais incriminatórias, o Supremo Tribunal ordenou ao Presidente que entregasse à Justiça as cassetes com as conversas na Sala Oval que gravara entre 1971 e 1973. Numa delas – que ficou conhecida como “smoking gun” –, Nixon foi ouvido a combinar com o seu chefe de gabinete uma estratégia para sabotar a investigação do FBI ao assalto à sede do Partido Democrata. Ao ouvirem as conversas gravadas, os congressistas do Partido Republicano que ainda defendiam o Presidente Nixon com unhas e dentes retiraram-lhe o apoio e abriram as portas à sua destituição. Para evitar o afastamento certo da Casa Branca, Nixon apresentou a demissão no dia 9 de Agosto de 1974.

Bill Clinton (1998 e 1999)

Acusação: dois artigos de impeachment (perjúrio e obstrução da Justiça).

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Clinton em Março de 2000, dois meses depois do julgamento no Senado William Philpott REUTERS

Julgamento: Não foi condenado em nenhuma das acusações (45-55 na acusação de perjúrio e 50-50 na acusação de obstrução da Justiça).

No único caso de impeachment nos Estados Unidos que se centra mais na vida pessoal do Presidente do que na sua acção política, Bill Clinton começou a ser investigado pouco depois de ter chegado à Casa Branca, em Janeiro de 1993. A partir das investigações sobre o caso Whitewater, sobre investimentos imobiliários da família Clinton, o procurador especial Kenneth Starr usou as mentiras do Presidente sobre as suas relações amorosas extraconjugais com uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, num processo à parte, para recomendar a sua destituição à Câmara dos Representantes.

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