Em Las Vegas, José Cid prometeu continuar a cantar contra o racismo e a poluição

Ao receber o Grammy de Excelência Musical, José Cid disse ser muito importante saber que alguém se lembrou de si, “de um país tão pequenino e tão longe, como é Portugal, mas de um país de encanto”.

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ADRIANO MIRANDA

O músico português José Cid prometeu esta quarta-feira continuar a cantar “canções de amor e de ternura”, mas também de outros temas fracturantes da sociedade, considerando muito importante que “um país tão pequenino” como Portugal tenha sido lembrando quando lhe foi atribuído o Grammy de Excelência Musical.

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O músico português José Cid prometeu esta quarta-feira continuar a cantar “canções de amor e de ternura”, mas também de outros temas fracturantes da sociedade, considerando muito importante que “um país tão pequenino” como Portugal tenha sido lembrando quando lhe foi atribuído o Grammy de Excelência Musical.

“Vou continuar a cantar, a cantar as minhas canções de amor, as minhas canções de ternura, mas também as minhas canções de ódio, contra a segregação racial, contra o racismo, contra a energia nuclear e contra a poluição, a favor das pessoas que mais necessitam, a favor deste planeta”, disse José Cid, após receber o Grammy de Excelência Musical, da Academia Latina de Gravação, numa cerimónia que decorreu em Las Vegas, nos Estados Unidos da América.

Numa curta declaração após receber o Grammy de Excelência Musical, José Cid considerou ainda muito importante saber que alguém se lembrou de si, “de um país tão pequenino e tão longe, como é Portugal, mas de um país de encanto”.

Em Agosto, quando a Academia Latina de Gravação anunciou que José Cid iria receber o prémio, o músico disse à Lusa que esta distinção “é o corolário de muitos anos de trabalho, teimosia e persistência”, e lamentou que as grandes editoras não apostem mais em Portugal.

Para José Cid, o reconhecimento internacional surge a par do reconhecimento nacional, que é “tão bom ou melhor” que os galardões além-fronteiras. “Tenho uma homenagem pública nacional do país inteiro, de norte a sul, há décadas sobre décadas, há cidades em que já fui duas e três vezes e não se cansam, e as pessoas continuam, ao fim de duas horas e meia, a pedir mais e mais, ninguém se quer ir embora. E essa é a maior homenagem que posso ter, é o meu próprio país que ma dá, já com a minha idade, aos 77, porque tenho mantido a voz, a voz está cá toda”, disse na altura.

Na página oficial da Academia Latina de Gravação é referido, num pequeno texto dedicado ao músico português, que José Cid “adaptou-se sem esforço a influência da música popular “anglo” ao estilo original do pop rock português”. “Em 1956, o surgimento de sua banda cover Os Babies marcou um momento de “antes e depois” para o pop rock em Portugal. O seu próximo grupo, o Quarteto 1111, criou as bases do rock português, com uma forte tonalidade psicadélica e lançamentos inovadores, como o enorme sucesso de 1967 “A Lenda De El-Rei D. Sebastião”. Continuando como artista a solo, em 1978 lançou “10000 Anos Depois Entre Vénus e Marte”, considerado uma obra-prima do rock progressivo”, salienta a mensagem da Academia.

O texto acrescenta que José Cid tem “dezenas de sucessos”, continuando a ser “uma grande atracção em concertos em Portugal”.