Pequim reafirma apoio total a Carrie Lam e à polícia de Hong Kong

Mesmo assumindo “falhas” do governo de Lam, China responde a mais um fim de semana violência no território aprovando actuação das autoridades e criticando as declarações de “algumas pessoas irresponsáveis de países ocidentais”.

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Yang Guang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau ROMAN PILIPEY/EPA/

Ao oitavo fim-de-semana consecutivo de protestos em Hong Kong, a agência estatal chinesa responsável pelo território organizou uma conferência de imprensa para reafirmar o seu apoio total ao governo de Carrie Lam e à actuação das forças policiais. Pequim elogiou a “revisão” de Lam às “falhas” do seu executivo e louvou o “enorme sacrifício” da polícia na resposta à violência. E criticou as declarações “irresponsáveis” do Ocidente.

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Ao oitavo fim-de-semana consecutivo de protestos em Hong Kong, a agência estatal chinesa responsável pelo território organizou uma conferência de imprensa para reafirmar o seu apoio total ao governo de Carrie Lam e à actuação das forças policiais. Pequim elogiou a “revisão” de Lam às “falhas” do seu executivo e louvou o “enorme sacrifício” da polícia na resposta à violência. E criticou as declarações “irresponsáveis” do Ocidente.

“O Governo central apoia firmemente Carrie Lam na liderança da administração do governo de Hong Kong de acordo com a lei e a aplicação rigorosa do Estado de Direito pela polícia”, afirmou esta segunda-feira Yang Guang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau, citado pelo South China Morning Post

“Apreciamos especialmente e estamos solidários com as forças policiais de Hong Kong e com as suas famílias, por causa da pressão enorme a que estão a ser alvo”, reforçou Guang. “Nenhuma sociedade civilizada ou respeitadora do Estado de Direito tolera violência generalizada”

O responsável chinês fez questão de reiterar que o Partido Comunista chinês está ao lado de Lam, mesmo admitindo que o seu executivo tenha tido algumas respostas menos adequadas: “Observámos que o governo fez uma revisão aprofundada às suas falhas e que vai ser mais inclusivo e ouvir opiniões diferentes”.

Foi a primeira intervenção pública, desde o início dos protestos, por parte da autoridade chinesa no antigo território britânico, cuja soberania foi transferida para Pequim em 1997. Hong Kong é administrado, desde essa altura, de acordo com o princípio “um país, dois sistemas”.

A contestação a Lam começou como um movimento de oposição a uma proposta de lei, entretanto suspensa, que permitiria extradições de detidos para a China continental – que colocaria em causa a independência judicial do território e facilitaria julgamentos “políticos” de opositores e activistas, segundo os manifestantes –, mas evoluiu para um protesto mais generalizado, que quer a demissão da líder do governo, pede uma investigação independente à repressão policial e exige mais democracia.

Depois de 300 mil pessoas terem saído à rua na sexta-feira, vários manifestantes tentaram ocupar edifícios governamentais e levantar barricadas nas ruas da cidade no domingo, tendo-se envolvido em confrontos com a polícia antimotim. As autoridades reagiram com gás lacrimogéneo e balas de borrachas para dispersar os protestos e prenderam 49 pessoas.

Yang Guang aproveitou a conferência de imprensa para criticar as declarações de alguns representantes de países ocidentais, rotulando-os de “irresponsáveis”. 

“Algumas pessoas irresponsáveis de países ocidentais fizeram declarações irresponsáveis. Revelam uma lógica estranha: esperam solidariedade por acções violentas e ilegais, mas quando é necessária uma intervenção policial para manter a lei, a ordem e a estabilidade na sociedade, acreditam que os policias devem ser responsabilizados e condenados. É ridículo”, criticou.