Coupage 51: uma península na Travessa de Cedofeita

A Travessa de Cedofeita, no Porto, ganhou um espaço do outro lado da calçada portuguesa. É pequeno, com poucas mesas e uma minicozinha – onde cabe a Península Ibérica.

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Márcia, Marco, Hugo e Katarzyna ainda estão na fase de “conhecer os vizinhos” e de “dar-se a conhecer a quem passa” à porta do número 51 da Travessa de Cedofeita, uma ruela do coração da baixa portuense que curiosamente encostara os negócios de restauração – e são vários – a um dos lados da calçada portuguesa. No número 51 abriu o Coupage 51, com o conceito de “petiscos para partilhar”, uma mistura fina de “coisas espanholas com produtos portugueses”. E algo mais do resto do mundo que lhes passa à porta diariamente.

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Márcia, Marco, Hugo e Katarzyna ainda estão na fase de “conhecer os vizinhos” e de “dar-se a conhecer a quem passa” à porta do número 51 da Travessa de Cedofeita, uma ruela do coração da baixa portuense que curiosamente encostara os negócios de restauração – e são vários – a um dos lados da calçada portuguesa. No número 51 abriu o Coupage 51, com o conceito de “petiscos para partilhar”, uma mistura fina de “coisas espanholas com produtos portugueses”. E algo mais do resto do mundo que lhes passa à porta diariamente.

Não há muitas mesas, nem muitas cadeiras. Aqui privilegiam-se “longas conversas à mesa” com os sabores que Márcia Cruz (e o chef Marco Nogueira) vai tirando dos sítios por onde passou depois de ter deixado o Porto, mais ou menos dois anos depois de ter nascido. Acompanhou à distância a evolução da rua e da cidade. Mas tem uma certeza: “Esta rua não era assim.” “É muito central e as pessoas vêm cá comer”, diz Márcia da pequena artéria onde, de baixo para cima, tem como vizinhos os kebabs de Daniel Saleem e os espaços Casa de Ló, Espaço 77, Rua, Coração Alecrim, Taberna dos Esquecidos, Museu d'Avó e Pherrugem, todos com opções de comida e de bebida quase porta sim, porta sim.

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Nelson Garrido

Se esta travessa é um grande cruzamento de culturas, uma sobreposição das vivências e dos vícios da cidade, o Coupage, “cuja palavra significa mistura, é uma viagem por paladares essencialmente ibéricos, uma oportunidade para juntar amigos e família”, descreve Márcia, 29 anos, que tirou o curso de Gestão Hoteleira em Lisboa, tendo passado por projectos na capital e no Algarve antes de viver quatro anos em Barcelona (onde trabalhou nos hotéis Mandarin e W, tendo sido chefe de sala do Grupo Tragaluz). “Decidi voltar para o Porto, que teve um boom turístico sem estar saturado como Lisboa”, justifica. “Não está. E ainda bem que não está”. O Porto, diz, “é pequenino” como o seu restaurante. “Mas é suficiente.”

Se fosse de outra forma, completa Marco, que, entre pedidos, se sentou à nossa mesa, “perdia-se a proximidade com os clientes”. O chef viveu até aos nove anos no Porto e hoje mora em Espinho depois de uma volta à Europa gastronómica (curso em Portimão, dez anos em Lagos e depois Inglaterra, Holanda, Suíça e Alemanha).

Na pequena cozinha do Coupage não se quer especializar em nada. Tenta “abranger”. “Queremos criar uma dinâmica multicultural. É sempre um risco. Mas as pessoas passam e reconhecem algo do menu.”

Aceita-se tudo – ou aceita-se muito. Um toque asiático, algo sul-americano, um livro de ceviche, conselhos de amigos, uma artista na cozinha (a última ceia na salinha é da autoria da polaca Katarzyna Harciarex), falar à mesa com os clientes, livros e cubos mágicos – até se aceitam cães. “É um sítio de convívio.”

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Um jantar no Coupage 51 pode começar com batatas bravas ("com origens em Madrid") ou pão com tomate ("levado para a Catalunha por trabalhadores de Múrcia que na década de 1920 ajudaram à construção do Metro de Barcelona") ou com peixinhos da horta ("o prato português que no século XVI deu origem à tempura japonesa"). Pode ser uma viagem a sabores da América Latina, o ceviche (hoje é de corvina), os nachos de guacamole a acompanhar uma Margarita ou um Pisco Sour (preparados por Hugo Pereira). Pode percorrer os cantos da Península Ibérica, a beringela frita com mel de cana, a tortilha ou o gaspacho, a cenoura algarvia e uma tábua de queijos (siga os ponteiros do relógio: o holandês L’ Amuse Brabander, os portugueses Queijo da Serra Amanteigado e Moinhos de cabra, o italiano Moliterno al Tartufo e o inglês Shropshire Blue) e tâmaras. Há vinhos de várias procedências para acompanhar a conversa à mesa e ligar os diversos pratos de uma refeição que pode terminar com uma sobremesa que chega do País Basco, o cheesecake San Sebastian, uma tarte de queijo com história que data de 1959.

happy hour (das 17h às 19h) com preços reduzidos de vinho, vermutes, frozen Margaritas e oferta de um petisco com a bebida.

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Nelson Garrido