Comandos: Dylan da Silva ficou sem assistência enquanto equipa tentava reanimar Hugo Abreu

Julgamento dos 19 Comandos prossegue no Campus da Justiça, em Lisboa. A enfermeira de serviço à Prova Zero foi ouvida nesta quarta-feira como testemunha.

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daniel rocha

No primeiro dia da Prova Zero do curso dos Comandos em que morreram dois instruendos em Setembro de 2016, o INEM foi chamado por volta das 20h depois de Hugo Abreu entrar em paragem cardiorrespiratória e de o médico responsável pela equipa da prova ter decidido que iria transferir Hugo Abreu e Dylan da Silva. Entre a chamada do INEM e a chegada da ambulância, Dylan da Silva permaneceu sem assistência, apesar de o seu estado não ter melhorado, à semelhança do que aconteceu com Abreu.

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No primeiro dia da Prova Zero do curso dos Comandos em que morreram dois instruendos em Setembro de 2016, o INEM foi chamado por volta das 20h depois de Hugo Abreu entrar em paragem cardiorrespiratória e de o médico responsável pela equipa da prova ter decidido que iria transferir Hugo Abreu e Dylan da Silva. Entre a chamada do INEM e a chegada da ambulância, Dylan da Silva permaneceu sem assistência, apesar de o seu estado não ter melhorado, à semelhança do que aconteceu com Abreu.

Por isso mesmo, o médico que chefiava a equipa sanitária tinha decidido que Hugo Abreu e Dylan da Silva teriam de ser transferidos para o hospital.

“Foi entre as 19h e as 20h”, que o capitão-médico Miguel Domingues terá dado indicações para preparar os doentes para a sua transferência, disse nesta quarta-feira ao tribunal a enfermeira Isabel Nascimento, de serviço desde o início da prova.

A enfermeira foi ouvida como testemunha no julgamento dos 19 Comandos que respondem por crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física. Na fase de inquérito, foi constituída arguida por suspeitas de omissão de auxílio, mas não chegou a ser acusada.

No seu depoimento, no julgamento que decorre há nove meses no Campus da Justiça, Isabel Nascimento relatou o que presenciou nos últimos momentos de vida de Hugo Abreu. Quando o instruendo deixou de responder, o capitão-médico Miguel Domingues tinha-se ausentado, disse a enfermeira que tentou contactar o médico por rádio que (como percebeu no momento) não funcionava. Foi então que os dois enfermeiros e os dois socorristas presentes decidiram chamar o INEM.

“A ambulância do INEM demorou uma hora a chegar”, e durante esse tempo, “Dylan da Silva e os outros instruendos [a receber cuidados médicos na enfermaria] ficaram sem assistência”. Hugo Abreu faleceu pouco depois. Dylan da Silva foi transferido e morreu seis dias depois no Hospital Curry Cabral.

“Perante uma situação de paragem cardiorrespiratória, é preciso realizar suporte básico de vida”, explicou a enfermeira. “Quando não há retorno” do doente, avança-se para “o suporte avançado de vida”, chama-se o INEM “na esperança de que consigam” reanimá-lo.

Já não era possível salvar recruta

Quando chegou a equipa do INEM constituída por um médico e um enfermeiro, já não era possível salvar Hugo Abreu. No Campo de Tiro de Alcochete, havia duas ambulâncias, mas apenas uma estava equipada mas sem equipamento avançado como por exemplo um monitor de sinais vitais; a outra servia apenas como viatura de transporte.

Depois de Hugo Abreu falecer, a equipa de enfermeiros e socorristas voltou para perto de Dylan da Silva: o jovem “já não estava a responder”, disse a enfermeira.

Apesar disso, quando questionada pelo advogado Acácio Ribeiro, que representa o Estado, na parte civil, Isabel Nascimento disse não ter sentido a “falta de meios” durante a prova para socorrer os instruendos, garantiu que a equipa estava coordenada – “cada elemento reconhece a sua função” – e relatou que quando um instruendo era entregue aos cuidados dos enfermeiros ou socorristas, a quantidade de água a ser-lhe administrada não dependia de uma ordem de um instrutor como acontecia quando os instruendos ainda estavam na prova.