Carlos Pessoa sob o encanto dos Açores

O Canto das Ilhas traça várias viagens, e a vários tempos e universos, pelas nove ilhas.

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Pico Manuel Roberto

“Cada ilha tem o seu lugar próprio, num exercício de complementaridade que confere ao todo o seu enorme poder de atracção e sedução”, lê-se, a dado ponto, n’O Canto das Ilhas, nascido das viagens e pesquisas do jornalista Carlos Pessoa nos Açores ao longo de mais de 30 anos. É dessa busca do lugar próprio de cada ilha e do seu lugar no todo que se fazem as páginas deste livro de viagens, relatadas numa perspectiva pessoal de vivências e descobertas, e que não quer ser apenas um mero guia indicativo de sugestões e indicações de passeio (que também as tem).

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“Cada ilha tem o seu lugar próprio, num exercício de complementaridade que confere ao todo o seu enorme poder de atracção e sedução”, lê-se, a dado ponto, n’O Canto das Ilhas, nascido das viagens e pesquisas do jornalista Carlos Pessoa nos Açores ao longo de mais de 30 anos. É dessa busca do lugar próprio de cada ilha e do seu lugar no todo que se fazem as páginas deste livro de viagens, relatadas numa perspectiva pessoal de vivências e descobertas, e que não quer ser apenas um mero guia indicativo de sugestões e indicações de passeio (que também as tem).

Quer pela vida pessoal, quer profissional, Carlos Pessoa tem passado muito tempo às voltas pelos Açores. E não só em páginas de jornal (foi jornalista do PÚBLICO entre 1990 e 2013, e escreveu muito, e em diversas perspectivas, sobre o arquipélago, incluindo na Fugas), tendo há três anos assinado uma média-metragem documental sobre a ilha de São Miguel, Vida Insulana – S. Miguel, Tradição e Modernidade. Todos esses vectores se pressentem a cada página d’O Canto das Ilhas.

Pessoa percorre as ilhas ao longo dos anos e, em cada uma, além de nos levar a passear pelas cidades e pelo campo, pelo mar e pelas maravilhas naturais, leva-nos também em contínuas viagens pela história e geografia, pela sociedade, tradições e modernidades, pelas idiossincrasias insulares. Os passeios vão sendo sempre enriquecidos com o conhecimento de quem sabe do que está a falar – não só com recurso à experiência no terreno de Pessoa, mas também às referências documentais de que vai fazendo uso e aos encontros com açorianos que marcam as vidas das ilhas das mais variadas formas e em vários tempos.

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E é com um sabor de outros tempos que a viagem do livro começa: o autor opta por cruzar o Atlântico de Lisboa a Ponta Delgada de barco, no navio mercante Furnas da Mutualista Açoriana, uma viagem a que poucos têm acesso. Uma aventura curta, mas que dará os seus sarilhos ao nosso viajante, num registo que acompanhará todo o livro, ou não fosse Carlos Pessoa também um grande especialista em banda desenhada. Aqui com um toque Tintim, ali com um tirar de chapéu a Corto Maltese – e não falta referência a Eduardo Teixeira Coelho, nascido em Angra do Heroísmo e “o maior criador português do século XX” de BD –, sempre com a tónica na investigação jornalística, somos levados por cada uma das nove ilhas, e a nenhuma faltam singularidades. Nem momentos em que o fascínio merece ser celebrado e reconhecido, como quando se dá a chegada ao topo do Pico. “Saboreio por minutos uma sensação”, escreve Pessoa, “que é uma mescla de euforia, adrenalina e clímax emocional”.

O livro divide-se por 11 capítulos que fazem o pleno de todos os ângulos dos Açores, canto a canto, tendo sido escrito num período de verdadeiro boom turístico da região – “Fim da crise, destino na moda” é precisamente um desses capítulos. Mais do que ater-se a modas, Pessoa procura e questiona n’O Canto das Ilhas os Açores mais substanciais e eternos. Porque, como escreve, “quando a curiosidade de agora procurar prazer e satisfação noutras paragens, que Açores serão esses que permanecem?”