Huawei ordenou a funcionários americanos na China que regressassem aos EUA

Empresa decidiu também cortar contactos profissionais com cidadãos americanos.

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A empresa não autoriza visitantes com passaportes americanos a entrar nas instalações Reuters/JASON LEE

A Huawei está a cortar contactos profissionais dos seus trabalhadores com cidadãos norte-americanos para evitar violar as restrições dos EUA.

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A Huawei está a cortar contactos profissionais dos seus trabalhadores com cidadãos norte-americanos para evitar violar as restrições dos EUA.

De acordo com informação avançada esta sexta-feira pelo jornal britânico Financial Times, nas últimas duas semanas, a empresa chinesa não só ordenou que todas as reuniões com cidadãos norte-americanos fossem canceladas, como pediu que os seus trabalhadores dos EUA a trabalhar na sede da Huawei em Shenzhen, na China, regressassem às suas casas, em solo americano.

As mudanças surgiram depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter incluído a tecnológica chinesa numa “lista negra” de entidades às quais as empresas americanas não podem fornecer nem comprar produtos e serviços. Desde então, o Google, excluiu telemóveis da Huawei de aceder à sua loja de aplicações e de receber actualizações do sistema operativo Android. As fabricantes de processadores Qualcomm, Intel e a britânica ARM também cortaram relações com a Huawei.

Esta semana, a gigante de Shenzhen apresentou um pedido à justiça americana para que partes da nova Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2019, responsável pelo corte de relações com os EUA, seja declarada como inconstitucional. O grupo de telecomunicações descreve a proibição dos EUA como “tirânica”.

Enquanto espera por uma resposta, além das restrições no contacto com os próprios trabalhadores, os fornecedores norte-americanos da empresa, começaram a ter de “pedir autorização” ao governo dos EUA para continuar a vender produtos à Huawei. E se visitantes da empresa tiverem consigo um passaporte americano, não entram nas instalações da gigante tecnológica.

O Financial Times descreveu ainda um episódio caricato em que um cidadão norte-americano a trabalhar na China recebeu uma mensagem de um contacto profissional da Huawei: “Devido a nova regulação do nosso lado, não estamos autorizados a contactar cidadãos norte-americanos para discutir assuntos relacionados com tecnologia”.

O PÚBLICO contactou a Huawei para esclarecimentos adicionais que não comentou o caso. Num comunicado publicado no site da empresa, a Huawei acusa o governo dos EUA de estar a usar a cibersegurança como “uma desculpa” para atacar a Huawei. A empresa confirma que já enviou um processo para julgamento nos EUA, pedindo ao tribunal que revogasse parte da lei de autorização de defesa nacional.

“Os políticos dos EUA estão a usar a força de uma nação inteira para perseguir uma empresa privada”, disse o director jurídico da empresa Song Liuping em comunicado, notando que “é algo nunca antes visto” e que “não é normal”.

O presidente Donald Trump já confirmou que a empresa poderá ser incluída num eventual acordo comercial com a China, dando força aos argumentos que defendem que os ataques americanos à Huawei são motivados por questões económicas.

Esta sexta-feira, o Ministério do Comércio da China anunciou que irá criar a sua própria lista negra com empresas estrangeiras que define como “entidades pouco fiáveis”. Em declarações à imprensa chinesa, um porta-voz daquele ministério explica que os objectivos incluem barrar “entidades, indivíduos e empresas que bloqueiem ou cortem a cadeia de fornecimento”, que “tomem medidas discriminatórias por razões não-comerciais” ou ponham em risco o negócio de empresas chinesas.