António Manuel Ribeiro a solo e com poesia no Microsons

Fundador dos UHF apresenta-se a solo esta sexta-feira no Festival Microsons, em Oeiras, às 21h30. Com música, poesia e uma canção inédita dedicada a um certo juiz, intitulada Um Moura de outrora.

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António Manuel Ribeiro MIGUEL MANSO

António Manuel Ribeiro, voz e fundador de uma das mais antigas bandas de rock portuguesas, os UHF, apresenta-se esta sexta-feira a solo no Festival Microsons, que começou dia 5 de Abril e por onde já passaram Lula Pena (na abertura) e O Gajo (dia 6). Com portas abertas desde as 19h (e até à meia-noite), o festival decorre no Parque dos Poetas e inclui conversas, poesia, música, sessões de microfone aberto e DJ e uma exposição fotográfica de Rita Carmo.

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António Manuel Ribeiro, voz e fundador de uma das mais antigas bandas de rock portuguesas, os UHF, apresenta-se esta sexta-feira a solo no Festival Microsons, que começou dia 5 de Abril e por onde já passaram Lula Pena (na abertura) e O Gajo (dia 6). Com portas abertas desde as 19h (e até à meia-noite), o festival decorre no Parque dos Poetas e inclui conversas, poesia, música, sessões de microfone aberto e DJ e uma exposição fotográfica de Rita Carmo.

Os concertos são sempre às 21h30, no Auditório do Templo da Poesia, e, depois de António Manuel Ribeiro, ali estarão Pedro e os Lobos (dia 13), ainda em Abril. Em Maio, passarão pelo mesmo palco Carlão (dia 10), Tomara (dia 11), Samuel Úria (dia 24) e Cristóvam (dia 25).

“De vez em quando faço isto, não tem é divulgação”, diz ao PÚBLICO António Manuel Ribeiro, que terá acompanhá-lo três dos músicos dos UHF: António Côrte-Real (guitarra), Ivan Cristiano (bateria), Luís Simões (baixo). “Mas não tem nada a ver com som eléctrico. Ainda agora estava a ouvir o disco The Times They Are a-Changin’, do Bob Dylan, e tem um bocado a ver com aquilo que vou fazer agora. São coisas que escrevi para álbuns a solo ou para os UHF, mas com outro tratamento. Se calhar vou estrear uma canção que dediquei ao juiz Neto de Moura [autor de uma muito contestada sentença num caso de violência doméstica, que o levou a ser afastado de julgar esta tipo de casos], chamada Um Moura de outrora. Eu não gosto de estrear as canções antes de as gravar, mas desta vez acho que a vou estrear. Porque tem a ver comigo, com o lado trovador, voz e guitarra, que perante coisas destas tem de posicionar-se.”

Natália Correia e Fernando Pessoa

A poesia está ligada ao seu universo. “Já editei quatro livros de poesia, agora ando a preparar uma antologia que reúna tudo, com coisas novas e coisas do passado. Eu declamo muito, gosto de declamar. Não ver a ver com música, tem a ver com o valor da palavra.”

Há poucos dias, António Manuel Ribeiro foi apresentar um livro seu a Ponta Delgada, ao Centro de Estudos Natália Correia (que nasceu nos Açores, na Fajã de Baixo), e leu um poema que escreveu e editou em 2006, dedicado a Natália Correia, que ele conheceu pessoalmente. “As pessoas ficaram a olhar para mim, admiradas. Porque a partir de determinada altura nós ficamos formatados: este gajo é cantor, guitarra eléctrica e ’tá a andar! Mas há o poder da palavra, e eu tenho uma relação com a poesia que pode ser discreta, mas é muito forte.”

Tão forte que pegou no único livro que Fernando Pessoa viu editado em vida e musicou-o de uma ponta à outra, os 44 poemas: “Musiquei a Mensagem toda, é um dos meus projectos. Um dia, ao reler o livro, disse: tenho de fazer isto. E fechei-me à noite, dias seguidos, a musicar os poemas.”

Abril, Coimbra e José Afonso

Até ao fim de Abril, António Manuel Ribeiro vai andar de palco em palco: “Tenho cinco espectáculos dos UHF com A Herança do Andarilho [álbum dedicado à obra de José Afonso]. Dia 24 será em Grândola, 25 em Abrantes, 27 em Tavira e 30 na Amadora. Mas antes disso, vou estar dia 16 em Coimbra, no Convento de São Francisco, nos 50 anos da revolta estudantil de 1969. Relembrando José Afonso, que ali viveu, cresceu e começou, com todo o simbolismo que isso tem. Este é um ano mágico: 90 anos de José Afonso [nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929], 45 do 25 de Abril, 50 anos da revolta estudantil. São números redondos que só se repetirão daqui a muito tempo. E tenho orgulho e honra de estar presente nisto, porque já era crescidinho em 1969, tinha 14 anos, e quem tem memória tem memória. E eu tenho memória.”