Telemóveis que reconhecem o dono pelas veias e baterias para durar 50 dias

O Mobile World Congress arrancou em Barcelona, com o habitual desfile de novidades no sector dos equipamentos móveis.

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A feira dos telemóveis em Barcelona dura até 28 de Fevereiro LUSA/Enric Fontcuberta

O Mobile World Congress, a grande feira dos telemóveis de Barcelona, começou esta segunda-feira. Todos os anos, fabricantes de todo o mundo reúnem-se na cidade espanhola para apresentar os novos projectos em que estão a trabalhar. Este ano, foi a fabricante chinesa Huawei a dominar o “dia zero” do evento (no domingo, antes da abertura oficial), com um telemóvel dobrável que se transforma noutros dois.

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O Mobile World Congress, a grande feira dos telemóveis de Barcelona, começou esta segunda-feira. Todos os anos, fabricantes de todo o mundo reúnem-se na cidade espanhola para apresentar os novos projectos em que estão a trabalhar. Este ano, foi a fabricante chinesa Huawei a dominar o “dia zero” do evento (no domingo, antes da abertura oficial), com um telemóvel dobrável que se transforma noutros dois.

Mas também se viram telemóveis que se controlam sem tocar neles (a LG diz que é altura do “adeus ao toque”), aparelhos com meia dezena de câmaras e telemóveis com baterias que duram mais de um mês. Os telemóveis 5G, adaptados à nova e mais rápida rede móvel, também estão a dominar a feira que decorre até dia 28 de Fevereiro (a LG, a Samsung e a Huawei estão entre as marcas a lançar versões 5G).

Ler veias

Depois de serem lançados telemóveis que reconhecem o dono pelos olhos, pela cara, ou pela impressão digital, a multinacional sul-coreana LG apresentou um telemóvel que se desbloqueia ao identificar as veias do dono.

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ALBERT GEA/Reuters

Segundo a empresa, ao emitir uma radiação infravermelha, o novo G8 ThinQ é capaz de criar um mapa das veias do utilizador com base na forma como a hemoglobina – proteína que permite o transporte de oxigénio no sistema circulatório – reage ao sensor.

O objectivo é evitar tocar o mínimo possível no telemóvel. Com o “leitor de hemoglobina”, basta ficar com a mão a pairar por cima do telemóvel para este desbloquear. A novidade faz parte da tentativa da LG mostrar que os novos telemóveis não têm de depender do toque.

“Mãos sujas ou molhadas? Com um simples acenar da mão, pode-se aceder às funcionalidades preferidas, atender chamadas, desligar alarmes, e aumentar o volume sem tocar no telemóvel”, lê-se no site da marca.

A câmara do telemóvel foi programada para reconhecer vários gestos. Ao juntar o indicador e o polegar pode-se deslizar pelo telemóvel, pausar filmes e músicas, e abrir algumas aplicações. Ainda não há detalhes sobre o preço. O modelo anterior o ThinQ G7 foi lançado por cerca de 660 euros.

Baterias para durar

Numa era em que as fabricantes de telemóveis competem todas para ter os modelos mais finos e leves, a empresa francesa Avenir Telecom apresentou um telemóvel cujo principal objectivo é durar até 50 dias em standby (ligado, mas sem ser usado) sem precisar de ser recarregado.

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A bateria do telemóvel pode aguentar mais de um mês Energizer Mobile

Ao usar o aparelho para ouvir música ou ver vídeos, deve durar entre dois a quatro dias inteiros. Vem com cinco câmaras (duas na frente e três nas traseiras), e foi criado para pessoas que passam dias seguidos em aventuras no exterior, sem capacidade de carregar o telemóvel.

As câmaras frontais estão escondidas no interior do telemóvel e só saem quando é preciso utilizá-las. Em caso de emergência, o telemóvel também funciona como um powerbank, um dispositivo portátil que fornece energia para carregar outros aparelhos.

O telemóvel esconde uma bateria de 18 mil miliamperes-hora. O miliampere-hora representa a capacidade de armazenamento de um telemóvel: quanto maior o número, mais resistente a bateria. Por comparação, o novo topo de gama da Samsung, o Fold, tem 4380 mAh e o Mate X da Huawei tem 4500 mAh. Em contrapartida, devido à enorme bateria, o Energizer P16K Pro tem 18 milímetros de espessura (o dobro do iPhone XS e mais do triplo do novo telemóvel dobrável da Huawei, o Mate X). O preço na Europa deve rondar os 600 euros.

Nokia com cinco câmaras traseiras

A HMD, a fabricante dos telemóveis Nokia, apresentou cinco novos telemóveis durante o Mobile World Congress.

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O Nokia 9 PureView tem cinco câmaras traseiras dispostas num círculo RAFAEL MARCHANTE/Reuters

No topo da gama, está o Nokia 9 PureView. Por 699 dólares, vem com cinco câmaras traseiras de 12 megapixéis, dispostas num círculo, que criam fundem numa fotografia as versões tiradas com as diferentes lentes. 

A marca também continua a apostar na nostalgia, com o Nokia 210 – um telemóvel pequeno e compacto, de 30 euros, com teclas físicas em vez de um ecrã de toque. Já é hábito a marca regressar ao passado durante o Mobile World Congress: na edição de 2018 lançou o Nokia 8110 4G (uma versão moderna do telemóvel de 1996 com uma tampa que deslizava para revelar o teclado e se popularizou no filme Matrix) e em 2017 apresentara uma nova versão do icónico modelo Nokia 3310 (que em 2000, quando foi inicialmente lançado, foi apelidado de “indestrutível” pela sua resistência).

O novo Nokia 210 foi actualizado para permitir uma navegação simples na Internet com o navegador Opera mini, e tem uma versão simplificada do Facebook pré-instalada. O objectivo é ser um telemóvel simples, para emergências (um “back-up phone”). Vem também com quatro jogos para ocupar o tempo, que incluem o famoso Snake.

Realidade aumentada para profissionais

Não é só de telemóveis que a CES é feita. A Microsoft aproveitou a feira para lançar o HoloLens2, a segunda versão dos seus óculos de realidade aumentada. Trata-se uma tecnologia que sobrepõe imagens digitais às imagens do mundo real. Ou seja, contrariamente a óculos de realidade virtual – que criam a ilusão de que o utilizador foi transportado para outros espaços –, os óculos de realidade aumentada oferecem uma camada adicional de informação à realidade (por exemplo, detalhes sobre objectos que estão na frente do utilizador).

A nova versão é mais leve do que a primeira, vem com um sistema para seguir a visão do utilizador (que permite que o utilizador veja mais detalhes sobre alguns objectos em que está focado), e um leitor de íris para autenticar a identidade do utilizador.

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O novo Hololens vem com um leitor de íris incluído SERGIO PEREZ/Reuters

Os óculos, porém, não são para lazer. Destinam-se a trabalhadores em fábricas ou pessoal militar que precisa de ter as mãos livres em determinadas tarefas do dia-a-dia. O preço ronda os 3500 dólares, mas a empresa está a preparar um modelo de subscrição por 125 dólares por mês.