Facebook vai fundir WhatsApp, Messenger e mensagens do Instagram

O objectivo é que um utilizador do Facebook possa comunicar com pessoas que preferem usar uma das outras duas aplicações. Deve estar pronto para o ano.

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Com os mudanças, os serviços serão todos encriptados LUSA/RITCHIE B. TONGO

O Facebook ambiciona criar um serviço seguro que integre as mensagens privadas da sua rede social, do Instagram (que comprou em 2012) e do WhatsApp (que comprou em 2014). O objectivo do processo – que ainda está longe de concluído – é que um utilizador do Facebook possa comunicar com pessoas que preferem usar uma das outras duas aplicações, ou que não usam a rede social.

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O Facebook ambiciona criar um serviço seguro que integre as mensagens privadas da sua rede social, do Instagram (que comprou em 2012) e do WhatsApp (que comprou em 2014). O objectivo do processo – que ainda está longe de concluído – é que um utilizador do Facebook possa comunicar com pessoas que preferem usar uma das outras duas aplicações, ou que não usam a rede social.

A notícia foi avançada nesta sexta-feira pelo New York Times, mas a empresa já confirmou a intenção. “Estamos a trabalhar em formas de melhorar a encriptação dos nossos serviços, e considerar formas de facilitar a forma de chegar a amigos e familiares através de várias redes”, lê-se num comunicado para a imprensa que foi enviado ao PÚBLICO.

Estima-se que as alterações estejam prontas no começo de 2020.

As mensagens também passarão a ser todas encriptadas, um processo que actualmente apenas está disponível para o WhatsApp e que impede que estas sejam decifradas por um membro externo à conversa.

A integração levanta, porém, questões sobre a privacidade: actualmente, apenas o WhatsApp exige que utilizador registe o seu número de telefone. Ao juntar os três serviços, isto pode implicar que este tipo de informação seja partilhado por todas as aplicações, numa altura em que a reputação do Facebook quanto à privacidade dos utilizadores não é a melhor.

Desde o começo de 2018 que a rede social tem estado envolvida em múltiplos escândalos, desde a disseminação de notícias falsas na rede social (que contribuíram para a perseguição da minoria rohingya na Birmânia) ao caso da consultora Cambridge Analytica. Em Março foi revelado que esta empresa de consultoria britânica usou dados de milhares de utilizadores do Facebook, sem autorização, para criar publicidade segmentada que terá influenciado decisões políticas em todo o mundo. 

A cascata de casos tem atingido a credibilidade do Facebook junto dos investidores. Em Julho, o valor bolsista da rede social caiu 19,5% (cerca de 118 milhões de dólares), depois de Mark Zuckerberg anunciar que a taxa de crescimento de utilizadores da rede social estava a diminuir e que essa tendência iria manter-se até ao final do ano.

Nos últimos anos, o Facebook também tem aumentado o seu controlo sobre as suas outras aplicações de mensagens.

Aquando da compra do Instagram e do WhatsApp, Zuckerberg tinha frisado que iam funcionar de forma independente. Mas, em 2018, tanto os fundadores do Instagram como do WhatsApp abandonaram as empresas. A dupla por detrás do Instagram – Kevin Systrom e Mike Krieger – justificou a saída com conflitos relacionados com a visão de Mark Zuckerberg sobre a privacidade.

Embora o Facebook não detalhe resultados das suas outras empresas, na última apresentação de resultados, em Outubro, Mark Zuckerberg disse que a “família” de serviços da rede social (que inclui o Instagram e o WhatsApp) continua a crescer, com 2600 milhões de pessoas a usar os serviços todos os meses.