Facebook perde 20% em bolsa apesar de a receita crescer 42%

Valorização bolsista caiu 118 mil milhões de dólares, nas horas seguintes à apresentação dos resultados trimestrais.

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Mark Zuckerberg culpou as novas regras de protecção de dados na Europa pela descida no número de utilizadores Reuters/ERIC THAYER

O valor bolsista do Facebook caiu 118 mil milhões de dólares esta quarta-feira (uma queda de 19,5%), depois de Mark Zuckerberg dizer aos investidores que a taxa de crescimento de utilizadores da rede social estava a diminuir e que essa tendência iria manter-se até ao final do ano. Apesar desta desaceleração, as receitas cresceram 42% no segundo trimestre de 2018 face ao trimestre homólogo de 2017. Mas o mercado parece ter ignorado as (boas) novidades financeiras, por duas razões: os números ficaram aquém do esperado em termos de receita e de utilizadores e porque os problemas reputacionais dos últimos tempos exigem investimentos que vão condicionar os lucros, como admitiu Mark Zuckerberg.

A 20 de Junho, o site tinha 2230 milhões de utilizadores mensais activos. Este dado traduz um crescimento de 11% face ao mesmo período de 2017. Mas fica 20 mil utilizadores abaixo do esperado pelos investidores – uma diferença ínfima, mas que contribuiu para uma reacção adversa nos mercados. Segundo as contas, a rede tem 1470 milhões de utilizadores no site diariamente (20 mil pessoas abaixo do valor projectado). 

O volume de negócios no trimestre, que é principalmente constituído pelas receitas de anúncios, cifrou-se em 13.230 milhões de dólares. Apesar de ser um valor 42% superior ao do trimestre homólogo de 2017, também está 1% abaixo das expectativas. Os analistas previam que a rede social chegasse aos 13.360 milhões de dólares neste trimestre.

Zuckerberg explicou que a queda no número de utilizadores se devia, em parte, à entrada em vigor do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) na União Europeia em Maio, que reforça os direitos dos utilizadores ao clarificar a informação que dão ao Facebook. Porém, as contas mostram que nos EUA, tal como na Europa, a rede está a perder fulgor.

Na Europa, há menos um milhão de utilizadores activos no site desde que as novas regras chegaram. As polémicas dos últimos meses – com notícias falsas, manipulação eleitoral da Rússia através de anúncios, promoção do ódio entre utilizadores, e acesso indevido aos dados pessoais dos utilizadores – também terão influenciado os resultados, na medida em que exigem investimentos adicionais, admitiu Zuckerberg. Para mostrar que mudou, a rede social está a apostar na área de segurança e transparência. Por exemplo, os anúncios do Facebook estão agora legendados para que se possa perceber quem é que os pagou e quanto é que pagou. 

"Isso vai começar a ter efeito na nossa rentabilidade. Vamos começar a ver isso este trimestre [corrente]", sublinhou Mark Zuckerberg, durante a apresentação dos resultados, notando como 2018 é "um ano crucial" para a empresa que fundou. No trimestre que findou, as despesas do Facebook aumentaram 50%, chegando aos 7440 milhões de dólares.

Zuckerberg optou por destacar que 2500 milhões de pessoas usam pelo menos uma das empresas da família Facebook. Isto inclui o Instagram, que o Facebook comprou em 2012, e o WhatsApp, que a empresa comprou em 2014. "É isso que melhor reflecte a nossa comunidade", disse. "Refere-se a pessoas, mais do que a contas activas, logo exclui pessoas que têm várias contas. E singifica que muitas pessoas usam mais do que um dos nossos serviços."

Embora o Facebook não tenha detalhado os resultados das outras empresas, Zuckerberg disse que o Instagram mantém um crescimento forte e ultrapassou os 1000 milhões de utilizadores. 

Os resultados não foram a única desilusão da rede social esta semana. Na quarta-feira de manhã, surgiram notícias de que o Facebook iria voltar a abrir escritórios na China, na província de Zhejiang, depois de uma década sem autorização para funcionar naquele país.

A empresa tinha recebido aprovação do governo para investir em startups locais. Porém, depois de a notícia surgir nos media internacionais, a autorização, que estava listada numa base de dados do governo, desapareceu e grande parte das referências ao projecto foram eliminadas dos órgãos noticiosos chineses.