Palavra ao #MeToo no Dacota do Norte

A senadora Heidi Heitkamp, do Partido Democrata, tinha tudo para manter o lugar nas eleições desta terça-feira. Mas o seu voto contra a nomeação do juiz Brett Kavanaugh veio baralhar as contas.

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Heidi Heitkamp foi eleita em 2012 por menos de 3000 votos DR

O caminho do Partido Democrata para recuperar a maioria no Senado já estava cheio de obstáculos, a começar pela desproporção no número de lugares que tem de defender esta terça-feira em comparação com o Partido Republicano.

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O caminho do Partido Democrata para recuperar a maioria no Senado já estava cheio de obstáculos, a começar pela desproporção no número de lugares que tem de defender esta terça-feira em comparação com o Partido Republicano.

Como os mandatos de seis anos dos 100 senadores não começam nem acabam todos na mesma altura, desta vez estão em jogo apenas 35 lugares – e o Partido Republicano apenas tem de se defender em nove deles. 

Na prática, o Partido Democrata precisa de acabar a noite eleitoral com mais dois senadores do que o Partido Republicano se quiser ficar em maioria no Senado.

Numa conta simples, se os seus 26 senadores que vão esta terça-feira a votos vencerem todas as corridas, ainda será necessário derrotar dois senadores do Partido Republicano dos nove que estão em jogo – uma tarefa quase impossível, a menos que a afluência às urnas seja de tal forma avassaladora que faça das sondagens um exercício inútil.

É aqui que entra a senadora do Partido Democrata no Dacota do Norte, Heidi Heitkamp – uma das candidatas que tem de vencer para que o seu partido mantenha o sonho de ganhar lugares ao Partido Republicano no Senado.

Heitkamp é uma figura com muito prestígio no Dacota do Norte, e foi eleita em 2012 não por ser do Partido Democrata, mas apesar de ser do Partido Democrata. Num estado que deu 63% dos votos a Donald Trump em 2016, um candidato do Partido Democrata com uma agenda semelhante às dos candidatos da Califórnia, por exemplo, teria muito poucas hipóteses de triunfar.

Prova disso é que Heidi Heitkamp é uma das senadoras do Partido Democrata que mais vezes vota a favor das propostas de Donald Trump. E, em Dezembro de 2016, foi chamada para uma conversa na Trump Tower com o então recém-eleito Presidente, entre notícias que a davam como uma possível escolha para secretária da Agricultura ou da Energia.

O prestígio e a moderação de Heitkamp, somados à relação mais ou menos pacífica com Donald Trump, compensavam o facto de se apresentar como candidata do Partido Democrata no Dacota do Norte.

Mas tudo isso mudou há precisamente um mês, no dia 6 de Outubro – o dia em que Heidi Heitkamp votou contra a nomeação do juiz Brett Kavanaugh, em nome de um estado onde mais de 60% dos eleitores queriam vê-lo no Supremo Tribunal.

Desde então, as sondagens têm mostrado que o seu rival do Partido Republicano, Kevin Cramer (um fervoroso apoiante de Trump e Kavanaugh), disparou na liderança, pondo em perigo a manutenção de Heidi Heitkamp no cargo.

Falta saber se a escassez de sondagens no Dacota do Norte e uma possível subida da participação das mulheres nas eleições, em defesa do voto de Heitkamp no Senado contra Kavanaugh, estão a esconder uma reviravolta que a candidata do Partido Democrata já protagonizou em 2012. Nesse ano, Heitkamp chegou ao dia das eleições atrás do seu adversário do Partido Republicano, Rick Berg, e acabou por vencer com uma vantagem de apenas 2936 votos em 322 mil.