China mostra abertura para negociações comerciais com os EUA

Com o encontro deste mês do G20 a aproximar-se, China e EUA preparam os próximos passos, num conflito comercial que se tem vindo a agudizar nos últimos meses.

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Wang Qishan, vice-presidente da China Reuters/Jason Lee

O vice-presidente da China, Wang Qishan, tentou esta terça-feira suavizar o clima de guerra comercial que se vive entre o país e os Estados Unidos, manifestando o interesse em resolver através da negociação os conflitos que neste momento existem entre as duas potências económicas.

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O vice-presidente da China, Wang Qishan, tentou esta terça-feira suavizar o clima de guerra comercial que se vive entre o país e os Estados Unidos, manifestando o interesse em resolver através da negociação os conflitos que neste momento existem entre as duas potências económicas.

Num discurso realizado numa conferência em Singapura, Wang Qishan garantiu, citado pelo Financial Times, que “o lado chinês está preparado para discutir com os EUA os assuntos em que há preocupações mútuas e para trabalhar para encontrar uma solução no comércio aceitável para ambas as partes”.

“O mundo de hoje enfrenta muitos problemas importantes que exigem uma cooperação próxima entre a China e os EUA. Os dois países têm muito a ganhar com a cooperação e muito a perder com o confronto”, disse o alto responsável da administração chinesa, salientando que a relação entre a China e os EUA tem “um impacto directo na estabilidade e no desenvolvimento global”.

O discurso de Wang Qishan surge a semanas da esperada cimeira do G20 - que se realizará em Buenos Aires no final deste mês e em que os líderes dos EUA e da China se irão encontrar - e está a ser visto como uma tentativa da China suavizar o seu discurso, não fechando as portas a um entendimento. Num discurso recente, realizado em Shangai, o presidente Xi Jinping tinha sido mais agressivo, acusando o seu homólogo norte-americano, Donald Trump de apontar para um sistema comercial semelhante à “lei da selva”.

Na sua intervenção, o vice-presidente também criticou a política da administração norte-americana, mas de forma mais moderada. “A negatividade e a raiva não são a forma de enfrentar os problemas que emergiram com a globalização”, disse, garantindo ao mesmo tempo que a China irá apontar para uma cada vez maior “liberalização do investimento e do comércio”, algo que é exigido pelos EUA à China.

As relações comerciais entre os EUA e China entraram num cenário de crise quando Donald Trump, cumprindo aquilo que foram as ideias por si defendidas durante a campanha eleitoral, fez da China um dos alvos da sua política comercial de carácter mais proteccionista. Por duas vezes, a Casa Branca implementou uma subida das taxas alfandegárias aplicadas a produtos provenientes da China, num valor total de 250 mil milhões de dólares. Nas duas ocasiões, Pequim optou por retaliar na mesma medida.

Donald Trump tem acusado a China de práticas comerciais injustas, defendendo que é que isso que justifica o elevado défice comercial dos EUA face ao gigante asiático. Em alguns sectores da economia norte-americana, em que a importação de bens provenientes da China a custo baixo é essencial para a sua própria produção, temem-se os efeitos negativos das novas taxas alfandegárias.