Imobiliário

PCP acusa BE de manobra política com “taxa Robles”

Comunistas não comentam a proposta do BE para taxar especulação imobiliária porque não há nada de concreto e lembram que eles, sim, estão a discutir com o Governo propostas nesta área.
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Paulo Sá diz que proposta do BE "tem objectivos políticos evidentes" LUSA/MIGUEL A. LOPES

O PCP não comenta a ideia avançada pelo BE para taxar a especulação imobiliária, “porque não conhece nenhuma proposta em concreto”. Mas os comunistas têm uma certeza: “A proposta do BE tem objectivos políticos evidentes que têm a ver com o caso do ex-vereador Robles”, avançou ao PÚBLICO o deputado comunista Paulo Sá.

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O parlamentar do PCP referia-se ao facto de Ricardo Robles ter sido afastado do cargo de vereador da Câmara Municipal de Lisboa há pouco mais de um mês, depois de se saber que tinha comprado um prédio em 2014 e que agora se preparava para o vender com uma mais-valia de cerca de 4 milhões de euros. Um claro caso de especulação imobiliária que ia totalmente contra o discurso do BE. O que o PCP vem agora dizer de forma clara é que os bloquistas criaram a já chamada “taxa Robles” para ver se amenizam politicamente os efeitos negativos que o caso criou ao partido.

“Não podemos apreciar algo que não conhecemos. Agora nós, PCP, temos propostas concretas nesta área que estamos a discutir com o Governo no âmbito das propostas para o Orçamento do Estado para 2019”, acrescentou Paulo Sá.

O deputado do PCP lembra a proposta para o “englobamento obrigatório de rendimentos superiores a 100 mil euros em sede de IRS, que incluiu os rendimentos prediais”. E recorda ainda que o seu partido está também a discutir com o Governo “a criação de um novo escalão no adicional do IMI”, que inclui “uma taxa acima de 1% para património imobiliário superior a 1,5 milhões de euros”.

A proposta para taxar a especulação imobiliária - que estará a ser negociada com o Governo desde Maio - foi revelada no domingo por Catarina Martins, sem detalhes sobre a sua execução. O PS já disse que não apoia, o CDS está contra e Rui Rio não a rejeita liminarmente.