Educação

Maioria das famílias vai dispensar manuais gratuitos

Inquérito promovido pelo Observador Cetelem dá conta de uma reduzida adesão ao programa de manuais gratuitos, que este ano abrangerá todos os alunos do 1.º ao 6.º ano que estão no ensino público.
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Famílias contam gastar mais 22% em material escolar Nuno Ferreira Santos

Só 8% das 600 famílias inquiridas no âmbito de um estudo sobre o regresso às aulas manifestaram vontade de ter acesso aos manuais gratuitos que estão a ser disponibilizados pelo Ministério da Educação (ME). Este é um dos resultados do inquérito promovido pela empresa de crédito Cetelem para apurar quais as intenções de consumo das famílias na altura de prepararem a chegada de mais um ano lectivo.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

Os manuais gratuitos destinam-se, em 2018/2019, aos alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade inscritos em escolas públicas. Segundo o ME, são 500 mil. Para garantirem o acesso a estes manuais os encarregados de educação têm de se registar numa plataforma electrónica lançada pelo ministério no passado dia 1 de Agosto, sendo-lhes depois atribuídos vouchers para utilizarem nas cerca de 1300 livrarias que aderiram à iniciativa.

O último balanço feito pelo ME, que por agora não disponibiliza dados mais recentes, data de 10 de Agosto. Nessa altura já estariam inscritos na plataforma 335 mil alunos.

Ainda segundo o Observador Cetelem, cerca de 97% dos inquiridos indicaram que preferem comprar livros escolares novos. O ano passado eram 93%. Feitas as contas, as famílias prevêem gastar em média 487 euros em livros e materiais escolares, o que representa um aumento de 22% face a 2017.

É também a pensar nas compras do regresso às aulas que foi lançada nesta segunda-feira mais uma edição da campanha Olhe pelas suas costas com o objectivo de ajudar os pais a escolherem as mochilas que menos estragos poderão provocar na saúde dos filhos.

Nesta campanha promovida pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral em conjunto com outras instituições, recomenda-se, por exemplo, que devem ser escolhidas mochilas com vários compartimentos, “de forma a distribuir o peso e não sobrecarregar os ombros”. Também devem ter “duas alças largas e almofadadas de modo a não desencadear contracturas musculares” e quando colocadas às costas, o seu tamanho não deve ultrapassar o nível superior dos ombros. Recorda-se ainda que o peso da mochila, incluindo o material e livros escolares, “não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança ou jovem".

Petição para reduzir peso das mochilas

Este foi um dos valores também referidos numa petição pública em prol da redução do peso das mochilas, que recolheu cerca de 50 mil assinaturas e levou o Parlamento a aprovar, em Outubro de 2017, um projecto de resolução, recomendando ao Governo várias medidas para se chegar àquele objectivo, como a criação de cacifos nas escolas ou a promoção do uso "gradual de suportes digitais na sala de aula”.

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação recordou que, na sequência desta resolução, fez um acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros para a concessão a todos os alunos do 1.º e 2.º ciclos (que são os que têm manuais gratuitos) de uma “licença para acesso a recursos digitais educativos”, que deverá já estar distribuída no princípio do próximo ano lectivo.

O ME referiu ainda que o projecto de flexibilidade curricular, que será agora aplicado a todas as escolas, promove a realização de aulas e a adopção de metodologias “não centradas no manual escolar e que permite muitas a vezes a dispensa do seu uso”.