Diplomacia

A rainha e o rapaz de Queens: o velho fascínio de Trump com a realeza britânica

"Estou mesmo ansioso por conhecê-la. Ela representa muito bem o seu país", disse o Presidente dos EUA sobre Isabel II, que o recebeu, para um chá, no castelo de Windsor.
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Isabel II recebeu Donald e Melania Trump em Windsor Reuters

O encontro do Presidente Donald Trump com a rainha Isabel II, nesta sexta-feira, foi o ponto alto de um longo e por vezes sinuoso fascínio do antigo magnata da construção com a família real, que começou há duas décadas com o divórcio da princesa Diana.

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No seu livro The Art of the Comeback, de 1997, Trump escreveu que o único arrependimento que tinha “na secção das mulheres” era o facto de “nunca ter tido a oportunidade de fazer a corte a lady Diana Spencer”. Pouco depois da morte de Diana, nesse mesmo ano, Trump disse no programa de rádio de Howard Stern que “podia ter dormido” com a princesa.

Anos antes, Trump espalhara o rumor em Nova Iorque – noticiado nos tablóides da cidade – de que Diana e o príncipe Carlos estavam interessados em comprar um apartamento de cinco milhões dólares na sua Trump Tower, na Quinta Avenida. Em Palm Beach, na Florida, os habitantes dizem que usou uma táctica semelhante para criar interesse sobre o seu clube privado de Mar-a-Lago, dizendo que Diana esta a pensar fazer-se sócia.

Donald Trump chegou à mansão de Winfield House, a residência do embaixador dos Estados Unidos em Londres, na quinta-feira, ao som de We  Can  Work  It  Out, dos Beatles – uma canção que parece canalizar um desejo do Governo britânico, que conta com alguma ajuda da rainha Isabel II para controlar o rapaz rude de Queens.

“Ela é uma mulher formidável”, disse o Presidente dos Estados Unidos sobre a rainha inglesa numa entrevista, na quinta-feira, ao tablóide Sun, salientando que a sua mãe, nascida na Escócia, “amava” a rainha.

“Estou mesmo ansioso por conhecê-la. Ela representa muito bem o seu país. Se pensarem bem, ela representa o seu país há muitos e muitos anos e nunca cometeu um erro. Não há nada do tipo embaraçoso. É uma mulher incrível.”

O fascínio de Donald Trump pela família real britânica ao longo dos anos tem-se manifestado numa série prolongada de pedidos, de zangas e de desejos não realizados. Mas não importa o quanto o Presidente norte-americano se esforce – ele será sempre um arrivista, desesperado por ser levado a sério por um clã que também tem os seus próprios escândalos e manifestações de mau comportamento.

Os comentários que Trump fez ao longo dos anos sobre a família real também não o ajudam. Em 2012, enquanto muitos saíam em defesa da duquesa de Cambridge, Kate Middleton, quando os paparazzi a apanharam a tomar banhos de sol em topless em França, Donald Trump defendia os fotógrafos, escrevendo no Twitter que Middleton “só podia queixar-se dela própria”.

“Quem é que não tiraria fotografias a Kate para fazer rios de dinheiro no momento em que ela tomava banho nua”, questionou Trump num tweet.

Mais recentemente, o casamento do príncipe Harry com a actriz Meghan Markle gerou atenção quando se soube que Trump não tinha sido convidado – uma decisão que foi interpretada como um acto de desprezo, mas que acabou por ser atenuada pelo facto de o casal não ter convidado qualquer político. Antes disso, durante a campanha presidencial de 2016 nos Estados Unidos, Markle chamou a Trump “divisionista” e “misógino”.

A família real não faz comentários sobre política, por isso é improvável que se venha a conhecer o veredicto da rainha Isabel II sobre a visita de Donald Trump. “A rainha sabe que ele usa muito o Twitter, por isso é natural que tenha ainda mais cuidado com as palavras”, disse Dickie Arbiter, antigo assessor de imprensa da rainha Isabel. 

Tina Brown, a autora do livro Diana, Uma Vida, disse que a rainha, que é conhecida por ser uma hábil imitadora em privado, terá ficado “bastante divertida” com a presença de Donald Trump.

“Em público ela fica a olhar com uma cara inexpressiva e ninguém sabe o que ela está a pensar. Mas quando está entre amigos, liberta-se”, disse Brown.

Trump, o magnata do imobiliário que chegou a Presidente dos EUA, terá adorado entrar num “verdadeiro castelo”, acrescentou Brown. Mas é provável que tenha considerado que, de acordo com os seus padrões, faltava alguma coisa a Windsor, onde tomou chá com Isabel II: “O castelo de Windsor é maravilhoso, antigo, extraordinário, mas não dá muito nas vistas”, concluiu a escritora.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post