Egípcios que “incomodem” turistas podem ser multados

O Parlamento do Egipto aprovou esta segunda-feira uma lei que visa proteger o sector do turismo, na qual assenta parte importante da economia do país.

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MMM - Miguel Madeira Pœblico

Os habitantes locais que incomodem os turistas vão passar a pagar multa. Esta é a nova lei do Egipto, aprovada pelo Parlamento esta segunda-feira, e que visa proteger o sector do turismo no país. Em causa estão alguns vendedores locais, que propõem aos turistas a compra de serviços, como passeios de camelo, ou a aquisição de bugigangas e pedaços de pergaminho, por exemplo. As multas podem chegar aos 462 euros.

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Os habitantes locais que incomodem os turistas vão passar a pagar multa. Esta é a nova lei do Egipto, aprovada pelo Parlamento esta segunda-feira, e que visa proteger o sector do turismo no país. Em causa estão alguns vendedores locais, que propõem aos turistas a compra de serviços, como passeios de camelo, ou a aquisição de bugigangas e pedaços de pergaminho, por exemplo. As multas podem chegar aos 462 euros.

A lei pretende defender a indústria do turismo, que representa 12% da economia egípcia e vê-se ameaçada pela concorrência desses vendedores. A “lei de protecção de antiguidades”, como lhe chama a imprensa local, visa multar quem se aproxime dos turistas para pedir dinheiro ou oferecer ou vender serviços.

A nova lei levanta algumas preocupações entre os habitantes, que recorrem à venda destes serviços para combater a pobreza em que vivem. São as pessoas que estão a “lutar por comida, a lutar por conseguirem alimentar as suas famílias” que mais vão sentir esta lei, aponta um guia de turismo.

Oscar Saleh é uma das pessoas que vende passeios de camelo, junto à Grande Pirâmide de Gizé. Nega que exista qualquer problema. “Vão visitar o Museu Egípcio, vão visitar as pirâmides, ninguém vos irá incomodar”, desafia, escreve o Guardian.

Alguns deputados sugeriram ainda que as multas deviam ser mais elevadas, podendo chegar aos 800 euros. “Até agora não existe nada que os impeça de tais posturas que afectam tanto o nosso turismo”, nota o ministro da Arqueologia, Khaled al-Anani, que defende ainda multas mais pesadas.

“Esta lei não existe em mais nenhum país, mas trata-se de um acto cultural e a intensificação da punição não o irá eliminar. Tem de existir uma sensibilização para eliminar estas práticas”, considerou o porta-voz da Câmara dos Representantes, Ali Abdul Aal. “Uma multa de 10 mil libras egípcias não é suficiente”, considerou também o antigo ministro das Antiguidades, Zahi Hawass.

O número de turistas no Egipto tem diminuído nos últimos anos, em particular devido à instabilidade política que se vive no país. Em 2010 o número de turistas rondava os 14,7 milhões de visitas por ano. Mas foi caindo continuamente. Em 2016, o número de turistas que visitou o Egipto não ultrapassou os 5,4 milhões. No último ano o sector registou uma ligeira recuperação: o número de turistas chegou aos 8,3 milhões.