“Já não chega só marcar reuniões.” Enfermeiros mantêm greve

Paralisação está marcada para os dias 22 e 23 de Março. Sindicato dos Enfermeiros Portugueses quer contratação imediata de profissionais e pagamento de horas em dívida.

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Mario Lopes Pereira

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) vai manter a greve marcada para os dias 22 e 23 de Março. “Já não chega só marcar reuniões, queremos as questões resolvidas de imediato”, disse ao PÚBLICO Guadalupe Simões, dirigente daquele sindicato. A decisão da manutenção da greve foi tomada esta quinta-feira numa reunião da direcção nacional daquele sindicato. 

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O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) vai manter a greve marcada para os dias 22 e 23 de Março. “Já não chega só marcar reuniões, queremos as questões resolvidas de imediato”, disse ao PÚBLICO Guadalupe Simões, dirigente daquele sindicato. A decisão da manutenção da greve foi tomada esta quinta-feira numa reunião da direcção nacional daquele sindicato. 

Os enfermeiros já tinham estado reunidos na quarta-feira com o Ministério da Saúde. No encontro, marcado depois do anúncio da greve, o tema em discussão foi a alteração legislativa que já estava acordada desde o ano passado para o pagamento de um suplemento de 150 euros aos enfermeiros especialistas. Ficaram ainda marcadas duas reuniões, uma para dia 8 sobre o mesmo tema, e outra para dia 13 para apresentação da proposta do protocolo para negociação da carreira. No dia 8, o ministério também reúne com os sindicatos que representam os médicos.

O SEP considera que estes agendamentos são insuficientes para desmarcar a greve. “Queremos no dia 8 assinar já a alteração legislativa para o pagamento do suplemento de 150 euros, que defendemos que deve ser entregue a todos os enfermeiros especialistas e não só aos que estão a exercer a função [como propõe o ministério] e no dia 13 assinar o protocolo de negociação da carreira”, afirma a dirigente sindical.

Mas estas não são as únicas questões que o sindicato quer ver resolvidas já. “Queremos que este mês paguem uma parte das dívidas em atraso aos enfermeiros e que em Abril seja pago o restante e para que não volte a acontecer o mesmo, que ainda este mês sejam contratados 500 enfermeiros e mais mil em Abril e Maio.” O último levantamento do sindicato estimava em meio milhão de euros o valor em dívida de horas por pagar aos enfermeiros.

Em cima da mesa está ainda o plano para discussão de contratações por causa da passagem às 35 horas semanais dos enfermeiros com contrato individual de trabalho, que acontecerá a 1 de Julho, e que o SEP diz nunca mais começar.

A Federação Nacional dos Sindicados dos Enfermeiros (Fense) também esteve reunida com o ministério na última quarta-feira. A próxima reunião está marcada para o dia 13, para o início da negociação da carreira. O dirigente José Azevedo afasta para já, por isso, o anúncio de uma possível greve. “Estamos empenhados em concentrar energias na negociação da carreira. Mas se não tivermos respostas atempadas e adequadas, então teremos de encetar formas de luta”, diz.