Editora da BBC China demite-se por ganhar muito menos que os colegas homens

Carrie Gracie acusa a estação de violar a lei da igualdade e diz que o apoio que tem recebido mostra a vontade que existe por salários “iguais, justos e transparentes”.

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A redacção do serviço internacional da BBC em Londres Suzanne Plunkett/Reuters

Carrie Gracie não quer ser aumentada – ela considera até que já é “muito bem paga” – mas exige que as mulheres que trabalham na BBC ganhem o mesmo que os homens que ocupam funções idênticas. E como isso não acontecia consigo, demitiu-se do cargo de editora da BBC China como forma de denunciar o que classifica como uma “cultura salarial secreta e ilegal” que viola os princípios a que a empresa britânica está obrigada e que gerou uma “crise de confiança” na BBC.

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Carrie Gracie não quer ser aumentada – ela considera até que já é “muito bem paga” – mas exige que as mulheres que trabalham na BBC ganhem o mesmo que os homens que ocupam funções idênticas. E como isso não acontecia consigo, demitiu-se do cargo de editora da BBC China como forma de denunciar o que classifica como uma “cultura salarial secreta e ilegal” que viola os princípios a que a empresa britânica está obrigada e que gerou uma “crise de confiança” na BBC.

A explicação para a sua decisão está numa carta dirigida à “audiência da BBC” e publicada neste domingo no seu blogue pessoal. Jornalista da BBC há cerca de 30 anos, Carrie Gracie é uma das profissionais mais reputadas do serviço público de rádio e televisão britânico e recebeu vários prémios ao longo da carreira.

Há quatro anos que liderava a delegação de Pequim e em Julho, quando foram conhecidos os salários dos quadros da BBC, soube-se que em 2016 os dois editores internacionais ganhavam pelo menos mais 50% do que as duas editoras com o mesmo cargo. Carrie Gracie exigiu salários iguais, mas o que lhe foi proposto foi um aumento salarial que ficava aquém dessa paridade, com o argumento de que existiam “diferenças entre as funções que justificavam a diferença salarial”, mas sem mais explicações.

“Chega!” A jornalista decidiu deixar o cargo na passada semana e retoma agora o seu lugar na redacção da televisão, onde espera “ser paga de forma igual”.

Já esta segunda-feira, Carrie Gracie apresentou com John Humphrys o programa Today na Radio 4 e afirmou que o apoio que tem recebido pela sua decisão demonstra a “grande sede” que existe na sociedade britânica por um sistema de salários “igual, justo e transparente” entre os géneros.

Outras caras de peso da BBC juntaram-se nos últimos dias em apoio a Carrie Gracie, como Lyse Doucet, Clare Balding, Emily Maitlis e Sarah Montagne, e também a apresentadora do Channel 4 News Cathy Newman, e ainda as deputadas trabalhistas Harriet Harman e Jess Phillips e a conservadora Nadine Dorries. As declarações de apoio têm sido feitas nas redes sociais usando a hashtag #IStandWithCarrie.

E um grupo de mais de 130 apresentadoras e produtoras da BBC, assinando o tweet com #BBCWomen, divulgou uma nota em que afirma ser “lamentável” que uma jornalista da craveira de Carrie não tenha outra solução que não demitir-se porque a BBC não valoriza a sua igualdade em relação aos colegas homens. Para além de apelarem à BBC que resolva rapidamente a questão da disparidade de salários para funções iguais, o grupo diz conhecer mais de 200 casos de mulheres que se queixam do mesmo problema um pouco por toda a empresa.

A polémica começou em Julho, quando se soube que dos dez salários mais altos da BBC, os sete primeiros eram de homens e que as mulheres que ocupavam cargos iguais estavam muito abaixo deles nessa tabela. “Nos salários, a BBC não está a cumprir os valores exigíveis de confiança, honestidade e transparência. A revelação dos salários que a BBC foi obrigada a fazer há seis meses mostrou não só elevados e inaceitáveis pagamentos para os apresentadores de topo e gestores, mas também uma diferença de salários indefensável entre homens e mulheres que ocupam as mesmas funções. Isso deteriorou a confiança da equipa da BBC”, escreveu Carrie Gracie.