Urgências de Faro normalizadas depois de “pico anormal” de procura

Ordens dos Médicos e Enfermeiros alertam para “problemas gravíssimos” no Algarve com falta de profissionais de saúde. Bastonária dos Enfermeiros denunciou tempos de espera que chegaram às 20 horas. Administração assegura que situação está normalizada.

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A Ordem dos Enfermeiros denunciou esperas de 20 horas no Hospital de Faro Vasco Célio/Arquivo

"Faro tem problemas gravíssimos, há muito. Inclusive tem escalas de médicos incompletas e muitas vezes só asseguradas por internos", afirmou o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, que deu outros exemplos de urgências onde a situação também é preocupante. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, denunciou no sábado "o caos instalado na maior parte das urgências do país" e apelou ao Ministério da Saúde para que "tome uma atitude".

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"Faro tem problemas gravíssimos, há muito. Inclusive tem escalas de médicos incompletas e muitas vezes só asseguradas por internos", afirmou o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, que deu outros exemplos de urgências onde a situação também é preocupante. A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, denunciou no sábado "o caos instalado na maior parte das urgências do país" e apelou ao Ministério da Saúde para que "tome uma atitude".

Um dos exemplos dados por Ana Rita Cavaco foi o do hospital de Faro, onde um enfermeiro encarregado da triagem foi ameaçado com uma faca pelo familiar de um paciente cansado de aguardar e onde alguns doentes terão chegado a esperar mais de 20 horas para serem atendidos.

Na semana passada, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou falta de profissionais para dar resposta ao pico da gripe que se aproxima. Nas contas do sindicato, só nos centros de saúde da região faltam 146 profissionais e no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve faltam 350 enfermeiros. 

Fonte do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve adiantou à Lusa que o atendimento nas urgências “foi normalizado ao início da noite de sábado, mantendo-se hoje [domingo] os tempos normais para o atendimento dos utentes". Segundo a mesma fonte, o aumento do tempo no atendimento "deveu-se a um pico anormal na afluência de utentes à urgência, situação que foi ultrapassada". A Administração Regional de Saúde do Algarve recomendou aos utentes que se dirijam aos Centros de Saúde da região.

PSD fala em “desprotecção dos cidadãos"

O PSD considerou que a situação das urgências configura uma "intolerável desprotecção dos cidadãos" e alertou para o "colapso dos serviços" de saúde na região. Em comunicado, o deputado Cristóvão Norte afirmou que se regista na actual época festiva uma "gritante desarticulação e incapacidade de resposta dos serviços de saúde" no Algarve, lembrando que há mais de um milhão de pessoas na região nesta altura do ano.

"Tal resulta, desde logo, da insuficiência de recursos humanos, em particular médicos, facto que foi tornado público em meados de Dezembro e, não obstante compromissos públicos, não veio a ser resolvido. Os quadros de necessidades não estavam assegurados e os serviços de saúde, nalguns casos, segundo informações recolhidas, estão a funcionar com metade dos recursos necessários", refere o comunicado do PSD.

Segundo os sociais-democratas, para este domingo e segunda-feira há indicações para as ambulâncias serem desviadas dos centros de saúde para as urgências do hospital de Faro. "Tal procedimento apenas se verifica quando faltam médicos nos Centros de Saúde e não se consegue assegurar o nível da oferta assistencial", referiu o deputado Cristóvão Norte.

"Temos mais de um milhão de pessoas no Algarve e menor acesso à saúde do que quando somos 400.000 (...). É o colapso dos serviços", considerou a nota do PSD, que pede ao Governo que tome medidas de excepção para regularizar a situação nos próximos dias.