O que foram os Kindertransport?

Em 1938, o Governo britânico, horrorizado com os relatos dos pogrom contra judeus na Alemanha, disponibilizou-se a transportar e acolher dez mil crianças judias.

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Alfred Dubs, à esquerda, em Lisboa Rui Gaudêncio/PÚBLICO

Nos meses que antecederam o início da II Guerra Mundial, o Governo britânico organizou o transporte e acolhimento de mais de dez mil crianças, quase todas judias, de vários países da Europa Central e sobre as quais pendia a ameaça de deportação para um campo de concentração nazi. O ex-deputado trabalhista Alfred Dubs, nascido em Praga, foi uma dessas crianças e ainda hoje recorda a chegada ao Reino Unido, em 1939.

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Nos meses que antecederam o início da II Guerra Mundial, o Governo britânico organizou o transporte e acolhimento de mais de dez mil crianças, quase todas judias, de vários países da Europa Central e sobre as quais pendia a ameaça de deportação para um campo de concentração nazi. O ex-deputado trabalhista Alfred Dubs, nascido em Praga, foi uma dessas crianças e ainda hoje recorda a chegada ao Reino Unido, em 1939.

A “Noite de Cristal”, em Novembro de 1938, despertou o alarme, mas a pressão sobre o Governo de Neville Chamberlain para acolher crianças que fugiam ao regime nazi já vinha de trás. Assim que o Parlamento deu luz-verde à proposta de receber os menores desacompanhados, foi posto rapidamente em marcha um plano que ficou conhecido como Kindertransport.

Entre Dezembro de 1938 até 1940, saíram dezenas de comboios de várias cidades em territórios ocupados pela Alemanha nazi que tinham a Holanda como destino. A partir daí, seguiam num barco até ao Reino Unido. Os transportes cessaram após a ocupação alemã da Holanda.

Centenas de famílias britânicas disponibilizaram-se logo nos primeiros dias para receber as crianças que não tinham familiares no país. O pai de Dubs, por exemplo, já se encontrava em Londres, depois de fugir de Praga alguns meses antes.

Entre as dez mil crianças e jovens salvos pelo Kindertransport contam-se várias que, nas décadas seguintes, teriam papéis de relevo nas sociedades britânica e norte-americana, incluindo escritores, artistas, cientistas e empresários. Alguns, como o físico Arno Penzias, acabariam por receber o Prémio Nobel na sua área.