NATO mantém a calma mas reforça a vigilância dos exercícios russos

A Aliança Atlântica diz que militarmente não há motivos para preocupação ou pânico com as manobras Zapad 17. Mas a falta de transparência alimenta a desconfiança com a postura agressiva de Moscovo.

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Paraquedistas russos participam num exercício junto à fronteira da Sérvia, em 2014 Reuters/MARKO DJURICA

É sem “preocupação” e com “tranquilidade” que a NATO encara o grande exercício militar conjunto da Rússia e Bielorrússia, Zapad 17, que arranca esta quinta-feira junto à sua fronteira Leste. Ao contrário do que aconteceu no passado, a aliança atlântica está “confiante” que as manobras não servirão para movimentar e posicionar tropas em antecipação de uma futura ofensiva ou invasão territorial. “Não existe nenhuma indicação de que a mobilização será usada para qualquer agressão”, afirmou o porta-voz da NATO, Piers Cazalet, a jornalistas portugueses em Bruxelas.

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É sem “preocupação” e com “tranquilidade” que a NATO encara o grande exercício militar conjunto da Rússia e Bielorrússia, Zapad 17, que arranca esta quinta-feira junto à sua fronteira Leste. Ao contrário do que aconteceu no passado, a aliança atlântica está “confiante” que as manobras não servirão para movimentar e posicionar tropas em antecipação de uma futura ofensiva ou invasão territorial. “Não existe nenhuma indicação de que a mobilização será usada para qualquer agressão”, afirmou o porta-voz da NATO, Piers Cazalet, a jornalistas portugueses em Bruxelas.

Embora reconheça o “direito de qualquer país de treinar as suas Forças Armadas”, a NATO não esconde a sua insatisfação com a falta de transparência da Rússia, que continua a levar a cabo exercícios militares sem a presença de observadores, conforme previsto no Documento de Viena subscrito pelos países que integram a Organização para a Segurança e Cooperação da Europa (OSCE). “A transparência é importante para aumentar a previsibilidade e a compreensão do que se está a passar. A questão foi um elemento chave do último conselho NATO/Rússia em Julho”, recordou Cazalet.

Do Kremlin surgiram convites para os adidos militares das embaixadas estrangeiras em Moscovo, e também para o representante da NATO, para participar num “dia de visitas ilustres” ao exercício. A Bielorrússia endossou convite semelhante às embaixadas da Ucrânia, Polónia, Estónia, Letónia, Lituânia, Suécia e Noruega em Minsk. Mas para a NATO esse esforço de abertura é claramente insuficiente.

“O exercício começará como esperado, de forma relativamente comedida. Pensamos que não haverá surpresas e que não evoluirá para nenhuma forma de conflito”, comentou um dirigente militar, acrescentando que a informação disponível é de que a Rússia não usará o Zapad para encobrir uma ofensiva futura – como aconteceu com o exercício de 2013, visto por alguns como um ensaio para anexação da Crimeia no ano seguinte. A decisão de Vladimir Putin operou uma mudança radical da situação de segurança no território da NATO: do ponto de vista dos aliados, a Rússia tornou-se “mais assertiva e agressiva”, e também “ mais imprevisível e inconfiável enquanto antigo parceiro”.

Apesar da mensagem oficial de “calma”, existe alguma tensão no quartel-geral de Bruxelas com as manobras russas. “Houve um acúmulo significativo desde Março. Os anteriores exercícios Zapad tiveram mais do que 13 mil tropas a participar, e desta vez, apesar de não sabermos, há a sugestão de que esse número voltará a ser ultrapassado”, comentou Cazalet. Nos corredores da NATO, especula-se que, no total, o exercício poderá mobilizar até 100 mil homens e testar uma série de capacidades, incluindo nucleares. “Militarmente, não há nada que nos leve a ter pânico ou preocupação”, prossegue o porta-voz da NATO. “Estamos a observar com mais atenção, e mantemo-nos vigilantes”, garantiu.

Novo foco no Atlântico

Não é apenas às forças em treino no Zapad que a NATO está atenta na sua área de fronteira com a Rússia. Nos últimos tempos, a aliança esteve particularmente vigilante às movimentações dos meios russos na zona do Atlântico Norte e mesmo no Árctico – a intensificação da actividade naval poderá levar, em breve, a uma expansão da presença marítima da NATO nas águas estratégicas e “vulneráveis” que separam os dois continentes da aliança. “É algo que está em discussão”, revelou Cazalet.

Segundo fontes militares, o reforço da capacidade marítima da NATO – sempre no âmbito da política de dissuasão e do “ajustamento do equilíbrio” das forças no terreno, e não na perspectiva de uma escalada militar – poderá contar com contributos nacionais. Portugal foi um dos subscritores do documento que sublinha a importância estratégica do Atlântico Norte e a participação nessa missão é considerada de interesse nacional. O foco é o aumento da visibilidade dos meios da aliança: maior presença e maior coordenação, para contrabalançar o “notável aumento da actividade russa”. Mas qualquer decisão nessa matéria terá de esperar pelo fim do Zapad. “Enquanto houver forças russas e bielorrussas a operar, a NATO não fará nenhuma mobilização na região”, garantiu um responsável militar.

Na frente terrestre, a NATO completou um reforço em Junho em resposta às movimentações russas. Neste momento, há quatro batalhões com capacidade de combate estacionados junto às fronteiras dos três países Bálticos, Estónia, Letónia e Lituânia, bem como na Polónia. São quatro a cinco mil efectivos, preparados para responder em menos de 24 horas a qualquer incidente. Fora da NATO, mas dentro da parceria com a aliança, uma brigada multinacional liderada pela Roménia, assegura a presença na fronteira romeno-búlgara.

A jornalista viajou a convite da NATO