Ao contrário do rei, o D. Sebastião do Rossio vai mesmo voltar

Infra-Estruturas de Portugal decidiu-se pelo restauro da estátua que ornamentava a estação, destruída em Maio do ano passado. Concurso para o trabalho vai ser lançado até ao fim do ano.

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Em princípio, esta história vai ter um final mais feliz do que teve o desafortunado rei D. Sebastião, desaparecido em Alcácer-Quibir há 439 anos, um mês e quatro dias e donde, presume-se, não mais voltará por muito nevoeiro que cubra o Tejo. A estátua do infeliz monarca que existia na Estação do Rossio, em Lisboa, vai ser reparada e regressará ao seu lugar.

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Em princípio, esta história vai ter um final mais feliz do que teve o desafortunado rei D. Sebastião, desaparecido em Alcácer-Quibir há 439 anos, um mês e quatro dias e donde, presume-se, não mais voltará por muito nevoeiro que cubra o Tejo. A estátua do infeliz monarca que existia na Estação do Rossio, em Lisboa, vai ser reparada e regressará ao seu lugar.

A Infra-Estruturas de Portugal (IP), que gere a estação ferroviária, quer contratar a reparação “durante o último trimestre deste ano”, explicou ao PÚBLICO uma fonte da empresa pública. Serão contactadas “entidades da área do restauro identificadas pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC)” e o preço-base dos trabalhos é de 25 mil euros.

Em Maio do ano passado, um homem de 24 anos trepou ao nicho em que se encontrava a estátua para tirar uma selfie. A obra, esculpida por Gabriel Farail há 126 anos, caiu ao chão e ficou completamente destruída. A notícia correu mundo.

“A IP procedeu à recolha e devido acondicionamento de todos os fragmentos da estátua em estreita colaboração com a DGPC”, informou a mesma fonte, explicando que se seguiu uma análise ao que era mais viável: a reparação ou a construção de uma réplica.

Depois de um “rigoroso e ponderado processo”, a empresa que gere as estações de comboios nacionais decidiu-se pelo restauro da estátua. Trata-se, acrescentou a fonte da Infra-Estruturas de Portugal, de “um trabalho exigente”, uma vez que é preciso proceder à “colagem dos fragmentos” resultantes da destruição.

Na sequência do “reprovável acto de vandalismo” que tombou D. Sebastião, a IP apresentou queixa ao Ministério Público que, adiantou a empresa, está “na sua fase de inquérito”. O PÚBLICO tentou confirmar o estado do processo junto da Procuradoria-Geral da República, mas não obteve resposta até à publicação deste artigo.

A estátua de D. Sebastião era um dos vários atractivos da Estação do Rossio, construída no fim do século XIX e classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1971. Encontrava-se num nicho entre os dois arcos neo-manuelinos da fachada, por cima dos quais se pode ler “Estação Central” em letras estilizadas.

Poucos dias depois do sucedido, o Instituto de Oftalmologia Doutor Gama Pinto anunciou que tinha uma estátua idêntica guardada numa arrecadação do Palácio dos Condes de Penamacor, à Colina de Santana, que aquele organismo ocupa. Mas a Infra-Estruturas de Portugal optou por restaurar a peça que já estava no Rossio. Ainda não há uma data definida, mas parece certo que este D. Sebastião vai mesmo regressar. Com ou sem nevoeiro.